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BOOM #1 - Sem Sabor




Olá a todos e sejam bem-vindos à primeira edição do BOOM, na qual irei abordar um tema que, na minha opinião, é fundamental para um show de wrestling: o público. 

Sim. O público. Aquele que muitas vezes criticamos por apoiar alguém que, no nosso entender, não merece ou que procura ser o centro das atenções em vez de fazer aquilo que pagou para fazer: assistir a um evento de wrestling

A verdade é que neste período que o mundo atravessa, apercebi-me de que o público é fundamental. 

No início desta pandemia, nos EUA, num momento ainda de reflexão por parte das autoridades competentes, quer a AEW, quer a WWE, conseguiram gravar vários programas em avanço, de modo a não parar por completo. Aliás, a WWE realizou pela primeira vez, a Wrestlemania, o espetáculo dos espetáculos, sem público, no seu Performance Center

E foi neste momento que, pela primeira vez, dei por mim a pensar sobre a grande importância que o público tem. A Wrestlemania foi um show muito positivo dadas as circunstâncias, no entanto, vários momentos que tinham tudo para ficar para a eternidade acabaram por ser apenas mais um entre tantos outros. 

Por exemplo, quando Drew McIntyre venceu finalmente o título da WWE, algo que sempre foi o seu “destino”, fiquei muito feliz, mas não tive o mesmo sentimento que experienciei quando no ano anterior Kofi Kingston derrotou Daniel Bryan pelo título da WWE. E não foi pela forma como a história foi contada, pois cada uma delas teve os seus bons momentos e fizeram todo o sentido. Foi mesmo, pelo facto de McIntyre não ter podido partilhar o momento com cerca de 90 mil pessoas, a gritar o seu nome.



Apesar disto, a WWE tem continuado com os seus shows, dado que foram considerados como um serviço essencial pelo Estado da Flórida, e a empresa irá mesmo realizar o Money in The Bank sem público, apresentando um conceito totalmente diferente.

Por falar em conceitos diferentes, a WWE surpreendeu por ter apresentado na Wrestlemania dois combates fora do normal, o Firefly Fun House e o Boneyard Match. Para o objetivo das respetivas rivalidades serviu o seu propósito, mas, não acredito que seja algo exequível por parte da empresa de Stanford no futuro.

Falando agora de AEW, que irá regressar aos programas ao vivo, a empresa tem optado por uma abordagem diferente, tendo vários lutadores que não estão em ação como membros do público. No entanto, é algo que não me convence, em primeiro lugar, porque me parece pouco natural e, também, porque por vezes parece que o show se foca mais nas pessoas do “público” do que no que se está a passar dentro do ringue.


Nos últimos tempos, desde que esta situação começou e os shows de wrestling deixaram de ter público, tenho tido muita pouca vontade de assistir. Dou por mim a passar a maior parte do programa à frente, e não por não ser conteúdo interessante, pois apesar de tudo, ambas as empresas têm cumprido no que a esse requisito diz respeito, mas sim porque me parece tudo igual, não há qualquer diferença.

Um dos motivos que me faz querer assistir wrestling, é presenciar momentos que me marquem, quer sejam grandes combates, quer sejam grandes segmentos. Mas sem público isso é algo mais difícil. Custa-me assistir a um combate de 30 minutos, sem que haja interação do público, sem o público a puxar pelo underdog, a vaiar o bully, ou por vezes (muitas) o contrário.

Mesmo nas promos dos lutadores faltam aqueles momentos Uau, que definem aquilo que é um show de wrestling. Posso dar o exemplo da assinatura de contrato entre Rollins e McIntyre em que senti e muito a falta do público. O segmento em si foi bom, os dois performers cumpriram muito bem o seu papel, mas creio que se o público estivesse presente, o segmento teria sido excecional. Até consigo imaginar as vaias ao discurso de Rollins e o pop para o momento em que McIntyre diz que Rollins é um monte de m****.

Acima de tudo, parece que falta algo para ligar tudo isto, é algo sem sabor.

Termino, no entanto, com uma palavra para todos os performers, que neste momento de dificuldade continuam a dar o máximo para nos proporcionar, a nós fãs de wrestling, grandes momentos.

Até breve!

1 comentário:

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