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Lucas Headquarters #136 – Road to WrestleMania (Análise)


Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Como estão? Sejam bem-vindos a mais uma edição de “Lucas Headquarters” aqui no WrestlingNotícias e esta, meus comensais do wrestling, não é uma edição qualquer. Esta não é uma edição que aparece ordinariamente num qualquer Sábado à tarde para fazer a análise de um acontecimento que marcou a semana no wrestling. Esta é a edição de “Lucas Headquarters” que aparece na tarde do Sábado em que acontece a primeira noite de WrestleMania 40!! 


E se às vezes não é fácil arranjar um tópico porque falta assunto, esta semana não foi fácil arranjar um tópico porque o que mais tem havido é wrestling. Wrestling de toda a maneira e feitio, para todos os gostos, para carecas e cabeludos, gordos e magros, surdos e mudos, cegos e de boa visão, de wrestling é que a gente gosta e esta semana houve wrestling até mais não. WWE, AEW, STARDOM, GCW, TJPW, ROH... o difícil é escolher. 


Eu podia falar-vos um pouco sobre cada um dos eventos que marcaram aquela a que eu gosto de chamar a “semana dos ovos de ouro”, mas acontece que amanhã, pela altura em que estiverem a ler isto, muito provavelmente eu não vou conseguir estar com um computador à frente para ver os shows que faltam e adiar o lançamento do artigo para Domingo – coisa que às vezes sucede quando a vida pessoal me rouba demasiado tempo. Para além disso, ficávamos para aí com um artigo que levava uma bela meia hora para ser lido na sua totalidade, e isso torna-se chato e enfadonho, para mim e para vocês. 


Dadas as circunstâncias, mais do que vos falar de tudo o que houve (e era isso que eu realmente queria fazer) vi-me obrigado a pensar numalógica de mercado” (se é que o termo se aplica): O que é que, sendo publicado, gera mais reação? Qual é aquela empresa pela qual 85 a 90% das pessoas que veem wrestling se interessam mais? Pois... 


É que por muito bom que seja o produto de outras empresas – e é - quando se chega ao fim de semana de WrestleMania, não se fala de outra coisa que não seja a própria Wrestlemania (e por inerência, a WWE). O nosso foco é aquele e aquele, se outras empresas houver que apresentem produto bom, a gente simplesmente não quer saber. 


Por isso, o que vos proponho para esta semana, mais do que o foco no passado de um ano atrás, é o foco e análise do presente. Nós estamos perante aquela que pode ser considerada a maior WrestleMania destas quatro décadas - e o matchcard é uma excelente evidência - os níveis de hype estão altíssimos e os últimos episódios quer do RAW, quer do SmackDown (mas especialmente do RAW) têm contribuído para um feeling que sinto que muito tempo não existia. 




Dito isto, tendo em conta aquilo que se passou nos últimos dois meses – se calhar até no último ano – o que vos propunha era que analisassem comigo tudo aquilo que temos visto e que vai culminar neste fim-de-semana. Vamos a isso? 


um ano... 




A WrestleMania 39 prometia imenso, e curiosamente uma das grandes razões para que tanta gente estivesse investida na edição do ano passado do Maior Evento da WWE era exatamente igual à deste ano. 


A história da Bloodline parecia estar a atingir o seu auge, pondo as diferentes sub-histórias (vamos chamar-lhes assim) em separado: Sami Zayn e Kevin Owens iam desafiar os Usos, num combate cujo hype estava fortemente apoiado quer na tentativa falhada de Owens de derrotar Roman Reigns no Royal Rumble, quer na tentativa, também ela frustrada, de Sami Zayn de acabar com o reinado do Tribal Chief no Elimination Chamber. 


Tendo em conta o quanto os fãs queriam ver Owens ou Zayn no topo da empresa (depois de anos de negligência criativa) o combate pelos Tag Titles soube a pouco. Ainda assim, o público não deixou de reagir efusivamente perante a poética vitória da dupla canadiana sobre aqueles que os tentaram dividir quando, em Janeiro, quase obrigaram Zayn a virar-se contra Owens como meio para mostrar a sualealdade” - seja como for que Roman Reigns entende o que é que isso quer dizer. 




Depois, na noite dois, tivemos o combate em que toda a gente esperava que Cody saísse vitorioso. A vitória no Royal Rumble dava-lhe o direito a enfrentar Roman Reigns pelo Undisputed Universal Championship numa história que até alastrou para do ringue (quem não se lembra daquele segmento entre Paul Heyman e o próprio Cody, onde Heyman – credivelmente – se mostra emocionado ao recordar os tempos que passou com Dusty Rhodes. 





Tudo parecia bem encaminhado para Cody, não fosse Solo Sikoa deixar a história inacabada após uma distração fatal. Para a história fica uma imagem que virou meme em muitas ocasiões: Cody, frustrado, sentado dentro do ringue, enquanto ao fundo, a Bloodline celebra contra todas as previsões. 



Outra storyline que marcou a WrestleMania do ano passado foi a que envolveu Rhea Ripley. A Nightmare tinha ganho o Royal Rumble de forma histórica, entrando como número 1 e sendo capaz de sobreviver até ao final em pouco mais de uma hora. Charlotte Flair reinava como SmackDown Women’s Champion, mas rapidamente se tornou a campeã a destronar depois da vitória da australiana.

Na verdade, ambas as wrestlers se haviam enfrentado na WrestleMania 36 – a famosa WrestleMania sem público - tendo Charlotte entrado como vencedora do Royal Rumble e Rhea como campeã do NXT. Para espanto geral, a Queen triunfouainda hoje não sei muito bem por que razão - e Rhea procurava, muito, redimir-se. E -lo, num combate carregado de bons spots, intensidade e muito atleticismo (aquele German Suplex na turnbuckle ainda vive na minha mente). 





Noutras paragens igualmente relevantes, John Cena regressou para enfrentar Austin Theory num combate que valeu pelo nostalgia pop; Brock Lesnar e Omos enfrentaram-se num combate que foi... olhem, foi . Houve o Triple Threat Match entre Gunther, Sheamus e Drew McIntyre pelo Intercontinental Championship (para mim, o combate do ano no que a WWE diz respeito), tivemos os showcase Tag Matches masculinos e femininos, momentos divertidos com Pat McAfee e Snoop Dogg, no que foi uma boa WrestleMania no geral. O que veio a seguir é que não foi nada bom, mas isso agora também não interessa muito. 

Este ano: Imprevisibilidade e regressos inesperados 



Contexto feito, vamos ao objeto da nossa análise. Pode parecer mentira, mas aqui chegados é com grande propriedade que vos digo: A Road to WrestleMania começou em Novembro. 


Proferir esta afirmação, um ano, dois, três... dez até, seria uma completa parvoíce. Mas a verdade é que este é o segundo ano consecutivo em que a WWE não apresenta um PPV em Dezembro, portanto quando chega o Survivor Series é possível ver que muito do que resulta do último Grand Slam do ano civil vai ter implicações no PPV que, por tradição, marca o início (oficial) dessa caminhada. Portanto, talvez me tenha expressado mal – a Road To WrestleMania não começou necessariamente em Novembro, mas as bases para a Road To WrestleMania, essas sim, começaram a ser lançadas em Novembro. 


Desde logo porque assistimos ao impossível, ao que toda a gente dizia que nunca iria acontecer, mas vocês sabem o que eu digo sempre: A esperança é como as sogras.... CM Punk voltou à WWE num homecoming perfeito em todos os sentidos: Voltou à empresa que o pôs no mapa do wrestling na cidade onde a sua mãe, quarenta e cinco anos, o pôs... no mapa dos vivos! Olhem a ironia! 





Paralelamente, Drew McIntyre parecia abraçar o seu lado heel e Cody Rhodes queria nova vitória no Rumble para poder desafiar novamente a Bloodline. Isto sem falar no próprio Punk, que se autoanunciou para o Royal Rumble. Quem saiu vencedor foi Cody, sendo o primeiro wrestler em 25 anos a vencer dois Rumbles consecutivos. 


Até que chega o “Final Boss”, senhor Dwayne The Rock Johnson, para se intrometer na luta pela glória e provocar nos fãs aquela vontade de reproduzir o Occupy RAW. Em boa verdade, The Rock estava a confundir conceitos de forma bastante credível, que tinha acabado de entrar para o Board of Directors da TKO. Logo, tinha que ter, no wrestling puro e duro, um papel correspondente ao que acabara de conseguir. 





Tendo tudo isto em conta... o quão boa foi a Road to WrestleMania? 


Ora, o que está escrito até aqui é um relato, mais ou menos factual e objetivo, de tudo o que sucedeu desde um ano para , com especial ênfase nestes últimos dois meses e pouco. Mas, olhando para os factos, o quão boa foi a Road to WrestleMania deste ano? 


Acho que a resposta é bastante óbvia: Considero que foi uma Road to WrestleMania bastante boa, que poderia ter sido melhor ainda se Triple H não tivesse escorregado na casca de banana que foi colocar o The Rock no lugar do Cody e ver-se obrigado a remediar o erro. 


Em parte, pode dizer-se que Triple H conseguiu fazê-lo, nem que para isso tenha sido obrigado a chamar Seth Rollins (Jey Uso ia, a espaços, entrando na equação - ele que até tinha ganho os títulos de Tag Team ao lado de Cody uns meses atrás), mas acabou por