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Lucas Headquarters #232 - "Heel" Randy Orton em 2026: Throwback a 2009?


Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Sejam bem-vindos a mais uma edição de “Lucas Headquarters” aqui no WrestlingNotícias, tarde e a más horas porque as últimas semanas têm sido cheiinhas de trabalho por aqui.


Por essa razão, permitam-me também falar um pouco sobre aquilo que serão os “Lucas Headquarters” daqui para a frente. E antes que me perguntem a resposta é não, o artigo não vai acabar, aliás, ainda estamos bastante longe de perspetivar sequer um fim para o nosso estaminé. O que acontece é que este último mês tem sido um mês bastante atarefado, quer a nível das paixões que costumo desenvolver em off, mas sobretudo a nível do meu emprego. Tivemos um grande evento a decorrer aqui no último fim-de-semana e, como é sabido, grandes eventos requerem uma quantidade igualmente grande de preparação e de publicidade – sobretudo publicidade.


Daí a demora em lançar as edições ao fim-de-semana, como tem sido habitual desde há seis anos a esta parte. Geralmente, o lançar de uma nova edição às segundas-feiras era a exceção dentro da regra; agora, tornou-se a regra por oposição à exceção (se bem que hoje é terça-feira).


O que é que isto quer dizer? Quer dizer que os Lucas Headquarters vão continuar, mas vão, de certa forma, ficar reféns daquilo que acontecer daqui para a frente no meu emprego. Se o volume de coisas a fazer diminuir um pouco, existe uma grande probabilidade de que os artigos voltem a sair ao fim-de-semana (ao Sábado ou ao Domingo, conforme o contexto e o desenrolar dos acontecimentos no mundo do wrestling – porque o controlo sobre o que falo aqui, como vocês sabem, (quase) nunca é absoluto.


Se as coisas continuarem como neste último mês, a probabilidade dos artigos saírem à segunda ou terça-feira é exponencialmente maior. É esperar e ver como as coisas se desenrolam, mas para já, eu consigo prometer-vos que vão continuar a haver artigos (porque neste nosso mundinho ainda há muita coisa sobre a qual podemos e devemos refletir), só não vos consigo dizer quando.


Agora sim, vamos àquilo que verdadeiramente nos interessa. Eu não sei, de entre quem provavelmente vai ler isto, se há por aí alguém que costuma ser agarrado à nostalgia, em maior ou menor grau (até porque, da forma como o mundo está a caminhar, eu acredito que todos nós tenhamos cá dentro aquela velha caquética que de vez em quando solta um valente “antigamente é que era bom!”, quero apenas saber se essa velhinha convive melhor ou pior com essa nostalgia), mas posso garantir-vos que o artigo de hoje é especialmente dirigido a esse público.


A nostalgia no wrestling é um fator… eu não queria usar palavras com cargas negativas muito fortes (até porque a nostalgia, creio eu, quase nunca é visto como algo triste ou negativo, muito embora as nossas reações possam tentar indicar o contrário), mas é um fator que nos impede de aproveitar o produto a cem por cento.


E porque é que eu digo isto desta maneira? Porque nós, enquanto consumidores do produto que é o wrestling, diria até enquanto sempiternos juízes desse produto que é o wrestling, encontramos na nostalgia que sentimos um “bode expiatório”, isto é, usamos o tal “antigamente é que era bom” para criticarmos decisões, muitas vezes, de forma avulsa e sem grandes fundamentos, sem sequer pensarmos no porquê daquela decisão estar a ser tomada daquela forma. E sabe-nos tão bem quando criticamos ou apontamos os podres dessa decisão, e ela depois se revela um completo fiasco, não sabe?


E isso acontece, não só mas especialmente, com a WWE, porque, cá está – e isto é uma tecla na qual temos batido aqui muitas vezes – o declínio do produto nos últimos vinte anos, mas principalmente desde a última década, tem sido notório. E antes que pensem que eu estou para aqui a defender o regresso do Vince McMahon ou algo do género (e caso não tenham lido os muitos artigos onde eu critico, muitas vezes até de forma mais veemente, muitas das decisões tomadas por ele no período anterior à sua inglória saída de cena), digo-vos que isto não é uma questão de quem está no comando criativo, seja Vince McMahon, seja Triple H. É uma questão de quem se encarrega de apresentar os inputs e outputs para as storylines – seja lá o que for que isso queira dizer neste contexto específico – não ter a mínima noção de como a indústria mudou, e de como os novos wrestlers das diferentes gerações pedem coisas diferentes.



E isto leva-nos precisamente ao exemplo de que vos queria falar hoje: Randy Orton.


Randy Orton consumou, há coisa de duas semanas, um heel turn que, convenhamos, já era bastante esperado. E é interessante que isto tenha vindo às custas do seu mais longo trabalho como babyface – se a memória não atraiçoa, foram cerca de quatro anos a desempenhar o papel de “bom da fita”, com destaque para o período em que formou uma bem-humorada dupla com Matt Riddle – os RK-Bro – que permitiu a elevação de outros talentos – como Chad Gable, por exemplo – no papel de heel. 



É certo e sabido que Randy Orton é um wrestler cujo trabalho, quer a nível daquilo que faz em ringue, quer a nível da sua própria gimmick, tem uma dimensão psicológica extremamente vincada. Cada um dos seus maneirismos, cada uma das suas promos, cada uma das suas moves… tudo isto é pensado para provocar o maior número de reações possíveis no público. E acreditem ou não, isto é algo que já acontece desde cedo, provavelmente desde os tempos em que Randy era visto apenas como o “futuro da indústria”, ainda nos Evolution.



É claro que ser um wrestler de terceira geração é um trunfo que ajuda imenso e que permite a Randy Orton assimilar mais depressa aquilo que o público pretende dele – tal como Cody Rhodes. Daí que este heel turn faça sentido, porque a malta até nem se estava a importar com o Randy babyface – muita gente reconhece que já lhe resta pouco nesta indústria, e que na fase da carreira em que está, elevar talentos é o principal (e só um bom babyface o consegue fazer). Mas quem cresceu a ver o Randy Orton como um heel sádico e vazio de sentimentos e remorsos, dificilmente o conseguirá imaginar noutro papel.


Como é que este heel turn pode funcionar?




Já vou tentar responder à pergunta que dá título a esta edição. Para já, importa tentar perceber como é que este heel turn pode funcionar.


Já sabemos o fundamento óbvio por detrás desta decisão: A WWE quer recriar a dinâmica entre o Viper e Cody Rhodes que se iniciou em 2009 e que, por vicissitudes de ambas as carreiras, ficou por explorar. E, se do ponto de vista da vontade do povo o heel turn de Randy Orton já fazia sentido, do ponto de vista do “revisionismo histórico” (vamos colocar a coisa nestes termos) ainda mais sentido faz.



Agora, como já devem saber, nem tudo aquilo que está pensado para esta fase inicial de mais uma heel run de Randy Orton vai encaixar ou funcionar na perfeição.


O heel turn de Randy Orton, atendendo ao fundamento atual, é uma decisão que, se for bem explorada, pode dar pano para mangas e uma história que não precisa de ser contada toda de uma vez. A questão é: Como é que podemos explorar isto sem que pareça uma coisa óbvia e “sem sal”?


Já percebemos que a primeira opção (a típica dinâmica heel vs babyface) está fora de questão. Se fosse assim, o turn de Randy Orton caía em saco roto e o Cody enquanto wrestler – isto é, a sua gimmick – não tinha quase nenhum desenvolvimento.


Mas depois, existe uma segunda opção que pode, eventualmente, explorar um double turn. Para fazer com que isto funcione, temos de recorrer à dimensão psicológica da gimmick do Randy Orton – até para depois colocar Cody Rhodes em primeiro plano.


Randy Orton parte como heel, mas vai fazendo uso do seu jogo psicológico para entrar na cabeça de Cody e deixá-lo cada vez mais desesperado, diria até cada vez mais obcecado em provar algo – a si próprio e aos fãs. E é então que no combate da WrestleMania se dá o double turn, em que o Cody assume o papel de heel até então desempenhado por Randy.


E notem que isto não implica que Randy Orton tenha necessariamente de voltar ao papel de babyface, até porque isso seria um desperdício de tempo e recursos. A Viper pode ficar apenas como tweener e ir depois adaptando os seus maneirismos conforme o adversário que lhe vai aparecendo: Se o seu adversário pender mais para o lado babyface, Orton pode optar por uma faceta heel; se o seu adversário for um heel mais declarado (Gunther, por exemplo), Randy Orton pode escolher uma abordagem mais babyface.


Isto tem apenas um senão: Randy Orton, em bom rigor, e pelo menos até à WrestleMania, é muito mais tweener do que heel, uma vez que o seu trabalho desde há duas semanas para cá tem colhido muito apoio do público. Ou seja, esta segunda opção é bem mais interessante e imprevisível, mas se formos ver bem… apenas beneficiaria o Cody Rhodes, pelo menos a curto-médio prazo.


Um throwback a 2009?



Tendo este heel turn e todos estes cenários em conta, vem finalmente a resposta à pergunta do milhão: Este heel turn de Randy Orton é um throwback a 2009?


Como eu dizia no início, o público, por nostalgia, está sempre tentado a dizer que sim – cá está, o tal antigamente é que era bom – mas não me parece que seja esse o caso. A razão é muito simples: A WWE já tentou ir por esse caminho diversas vezes na última década, mas sem grande impacto.


Em 2013, a WWE voltou a colocar Randy Orton como heel, mostrando sinais da sua agressividade aqui e ali. Mas nesse período até ao seu face turn em 2015, tinha a Authority a “conter” a sua fúria.


Depois, naquele período entre 2018 e 2021, a WWE tentou fazer crer que estávamos perante o “regresso do Legend Killer”, mas fê-lo às custas de um Big Show que já não estava a fazer grande coisa na WWE e de um Ric Flair que não acrescentava nada à sua storyline.


E agora, estão a tentar fazê-lo novamente – e com alguma propriedade, porque Cody Rhodes é, neste momento, o número um da hierarquia da WWE. A maior agressividade, o jogo psicológico e as motivações com que parte para esta feud são bem-vindas e bem executadas… mas depois de tanta heel run sem brilho ao longo da década de 2010 (excetuando a fase inicial na Authority)… fica difícil acreditar que esta heel run produza mais algum fruto para além daquele que o público espera.


E vocês, o que acham deste heel turn do Randy Orton? Acham que poderá representar um regresso à sua melhor heel gimmick de 2009?

 

E assim termina mais uma edição de “Lucas Headquarters”! Não se esqueçam de passar pelas nossas redes sociais, sugerir temas na caixinha aí de baixo… o costume. Para a semana cá estarei com novo artigo!!

 

Peace and love, até ao meu regresso!!

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