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Lucas Headquarters #229 - Elimination Chamber 2026: Baixa expectativa, grande resultado


Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Como estão? Sejam bem-vindos a mais uma edição de “Lucas Headquarters” aqui no WrestlingNotícias!!


Situados que estamos já neste mês de Março, estamos a prego a fundo na chamada “Estrada para a WrestleMania” e tivemos este fim de semana mais uma edição do Elimination Chamber, que tem por hábito ser a última e previsível paragem antes do Maior Evento do Ano.


Confesso-vos, por isso, que era sem grande interesse que me via “obrigado” a ver este PLE, sobretudo depois de um mês de Fevereiro em que o tempo para ver wrestling, tendo sido reduzido, foi canalizado para outros projetos meus. Mas ontem, à falta de melhor programa para fechar um fim de semana, também ele, cheio de peripécias, lá me predispus a ver o evento, mais com a intenção de ver como é que os combates iriam ser no que toca à qualidade da ação do que de me entusiasmar com o que quer que fosse que viesse a acontecer.


E, meus queridos, a lição que levo deste Elimination Chamber – e que recomendo vivamente que vocês levem para a vossa vida: Mantenham as expectativas baixas. E é irónico que eu venha aqui escrever este tipo de coisas no exato momento em que metade do mundo está entranhado em guerras e estamos todos a perder a pouca esperança que tínhamos na raça humana, mas é, de facto, essa a lição que o Elimination Chamber nos ensina: Manter as expectativas baixas.


Porque, no fundo, manter as expectativas baixas também nos ensina a ter esperança. Isto pode até nem fazer muito sentido, mas quando não estamos à espera de nada de extraordinário ficamos sempre com mais espaço para nos surpreendermos com coisas que, se estivéssemos muito expectantes, deixávamos passar ao lado – e já vou falar disso com mais pormenor.


Manter as expectativas baixas tem, muitas vezes, uma conotação derrotista, niilista até, como se já nada nos importasse, como se já nada fosse importante para nós e fosse tudo um grande buraco negro, que não acrescenta, que só suga. Mas acreditem, meus caros comensais do wrestling, que ter as expectativas baixas é o melhor escudo que se pode ter: Se as coisas correrem mal, porreiro, já se estava à espera; se correrem bem, mais porreiro ainda, afinal não foi tão mau como se esperava.


E o Elimination Chamber deste ano – tanto os combates em si como o PLE no geral – é o melhor exemplo de como um evento que seria, em toda a linha, previsível, ainda acabou por ser das melhores coisas que a WWE produziu em largos meses. E continua a ser fascinante como a WWE é capaz de nos levar do oito ao oitenta numa questão de apenas um mês: Depois de um Royal Rumble meio insípido e igualmente muito previsível – onde nem o geralmente entusiasta público saudita conseguiu ajudar à festa – a WWE brinda-nos com um evento que, apesar de ter, também ele, alguma previsibilidade, compensou na forma como os combates foram construídos.


Daí que não compreenda, também, muitas das críticas dirigidas a este PLE em particular – ou melhor, eu compreendo, mas acho que elas estão a ser mal dirigidas. Sim, a WrestleMania este ano está fraca em termos de combates verdadeiramente imperdíveis; sim, a venda de bilhetes este ano está mais fraca comparativamente há um ano atrás. Mas o Elimination Chamber em si não tem culpa nenhuma – duh, estamos a falar de um mero PLE. Isto é o resultado daquilo que já há muito venho a apontar e que tem sido teimosia da WWE neste último ano: A aposta em wrestlers apenas e só pelo carisma, ou pela interação com o público – como se isso fosse indicativo da qualidade dos wrestlers.



Mas enfim, dizia eu que houve surpresas, bastante agradáveis até, durante o PLE. E quando falo em surpresas não faço tanta menção à palavra “surpresas” no seu verdadeiro sentido, mas antes “chapadas de luva branca”. É que uma dessas surpresas acaba por ser a demonstração de como o seu talento rende muito mais em papéis de destaque – que já vinha a merecer há muito – do que encapsulado num grupo que, ainda assim, tem o nobre propósito de elevação de talentos.


Mas claro, para além das surpresas, houve também mais do mesmo. E se, por um lado, essa insistência até se compreende, porque para além de Alexa Bliss não havia mais ninguém com o mínimo de credibilidade para vencer uma Elimination Chamber, por outro lado, a WWE acaba aqui por expor-se a uma situação que, independentemente do que acontecer na WrestleMania, nunca abonará a seu favor.


Mas pronto, feita que está a análise geral ao Elimination Chamber, vamos lá partir para o particular, que eu sei que vocês querem muito saber quem é que me surpreendeu assim tanto. Bora lá!


Kiana James



Ainda ontem dizia a um amigo meu, assim meio a sério e meio a brincar, que a WWE colocou Kiana James numa parceria com a Giulia de modo a elevar esta última; no entanto, o tiro saiu completamente pela culatra, porque parece que, no meio disto tudo, é Kiana quem vai tratando de provar aos seus detratores o quão errados estão.

Ora, quando nós vemos alguém como Kiana, que ao longo destes meses mais não tem sido que uma sidekick, a entrar pela porta de um combate tão importante como o Elimination Chamber, o que é que pensamos? “Para ela estar aqui, o objetivo deve ser o de fazer com que ela seja a primeira a levar com o pin” – e digo-vos isto porque o meu pensamento foi exatamente esse. Mais uma vez, saiu tudo ao contrário.

Kiana James entrou, bateu-se sobretudo com Tiffany Stratton e ainda eliminou a Alexa Bliss, o que só por si já deveria ser suficiente para merecer a classificação de um dos maiores plot twists em combates que a WWE já produziu nos últimos tempos. Claro que ainda lhe falta muito trabalho a nível de gimmick – e isso passaria por terminar a parceria que tem com Giulia, já que o estilos de ambas são diametralmente diferentes – mas o essencial, sobretudo a nível de trabalho em ringue, está lá. Belo trabalho.


Raquel Rodriguez




Eu sei que, aos olhos de muitos, uma wrestler com a estatura e o passado de Raquel Rodriguez não há de prestar para mais nada do que para ser guarda-costas de algum wrestler ou o enforcer de alguma stable. E se querem mais algum exemplo de como isto é tão normalizado na WWE, Tamina, também ela wrestler de segunda geração, desempenhou durante anos o papel de guarda-costas das mais variadas wrestlers e a malta parecia estar contente com isso. Não, com isto não estou a dizer que talvez Tamina fosse boa o suficiente para merecer alguma tentativa de carreira a solo, só que fosse, mas a verdade é que também nunca teve uma verdadeira oportunidade.


Raquel Rodriguez, pelo contrário, teve-a durante este combate, mas, paradoxalmente, teve-a ao mesmo tempo que é parte de uma stable. Nada que a impedisse de marcar posição durante o combate, provando que ela é mais um de muitos exemplos de wrestlers que a WWE insiste em encapsular em stables quando já deram provas mais que suficientes de que o seu talento merece um voo a solo.


E a verdade é que Raquel pareceu conseguir elevar toda a gente durante o combate, especialmente a supracitada Kiana James, que tanto precisava de alguém que a elevasse depois da interessante sequência que vinha a fazer. As várias interações que a integrante dos Judgement Day teve com a representante de Giulia ajudaram também a dar credibilidade à performance desta última, enquanto credibilizaram a performance de uma Raquel Rodriguez que provou, sem dúvida, que merece mais do que aquilo que lhe têm dado. Two birds in one stone.




O óbvio: A vitória de Rhea Ripley




Ao olhar para as integrantes do Elimination Chamber Match feminino, o cenário que implicava a vitória de Rhea Ripley era aquele que muitos fãs temiam… e infelizmente foi aquele que se concretizou.


Note-se que os fãs não temiam a vitória de Rhea Ripley porque duvidassem das capacidades da Mami – acho que disso já ninguém tem dúvidas. Mas eu penso que muita gente não queria ver Rhea Ripley a vencer simplesmente porque, depois de cerca de um ano e meio a trabalhar em conjunto com IYO SKY nos mais diversos papéis – trabalho esse que contribuiu, de certa forma, para a humanização de uma Rhea Ripley que até ali tinha tido muito pouco character development – ver Rhea Ripley de novo no topo depois de já lá ter estado tanto tempo é, pura e simplesmente, mais do mesmo.


A própria WWE acaba por colocar-se, voluntariamente, perante uma situação onde vai ser sempre alvo de críticas: Ou coloca o título em Ripley e arrisca-se, precisamente, a ver os fãs rejeitar essa vitória porque, no fundo, tudo continua como sempre esteve; ou então, coloca o título em Jade Cargill e arrisca-se a ver os fãs rejeitar essa vitória porque, na opinião de muitos, Cargill ainda está demasiado verde para estar no topo. Na minha opinião, não havia necessidade de a WWE se colocar numa situação tão delicada, mas isso era algo a ter sido resolvido ainda antes do Elimination Chamber. Agora, paciência…


AJ Lee: Como nos velhos tempos!





Quem cresceu a ver AJ Lee na sua TV certamente não terá memória de um período em que AJ não tenha sido campeã a não ser naquele curto período antes da sua primeira retirada em que fez dupla com Paige, isto quando estávamos a caminho da WrestleMania 31. Isto porque grande parte da primeira run de AJ Lee foi passada a tentar elevar uma Divas Division que já precisava de uma renovação urgente em toda a linha. Portanto eu creio que tenham recebido a vitória de AJ Lee sobre Becky Lynch com grande júbilo, assim como aqueles que, não tendo crescido a vê-la lutar, tenham recorrido ao maravilhoso mundo da internet para perceber do que AJ é capaz.


Eu penso que a vitória de AJ Lee pelo título até aqui detido por Becky Lynch era uma questão de tempo, sobretudo se recuarmos às interações que tiveram por altura do seu regresso no Wrestlepalooza. Não acredito, no entanto, que o seu reinado seja muito longo, até porque AJ Lee não precisa do título para nada (o seu currículo fala por ela), e acredito que ela queira usá-lo como aquilo que o Women’s Intercontinental Championship deve ser sempre: Um veículo de elevação e uma forma de evitar com que a Divisão Feminina sofra a saturação natural de quem vê sempre as mesmas caras no topo. Ainda assim, sabe sempre bem ver AJ Lee a vencer!!

 

O que acharam da edição deste ano do Elimination Chamber?


E assim termina mais uma edição de “Lucas Headquarters”! Não se esqueçam de passar pelo site, pelas redes sociais, deixem a vossa opinião aí em baixo… o costume. Para a semana cá estarei com mais um artigo!!

 


Peace and love, até ao meu regresso!!

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