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Lucas Headquarters #228 - WWE em Portugal, finalmente!!


Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Como estão? Sejam bem-vindos a mais uma edição de “Lucas Headquarters” aqui no WrestlingNotícias!! Mais uma vez, desculpas pelo modo tardio como os artigos têm saído nas últimas semanas, mas entre deveres familiares e, agora, uma constipação, eu não consigo sequer saber para onde me virar… mas havemos de melhorar, isso havemos de certeza.


O assunto de hoje é daqueles que não devia espantar ninguém de tão óbvio que é, mas infelizmente, dada a periodicidade com que acontece, é um acontecimento quase tão raro e imprevisível como ver uma banda de Heavy Metal ir ao programa da Júlia Pinheiro.


É um assunto que, como fã de wrestling, me deixa naturalmente feliz, mas que não consegue deixar de acordar o cético que vive dentro de mim. É interessante verificar como a WWE é a única empresa de wrestling neste momento que não me deixa confortável com nada, e mesmo no desconforto, não consegue despertar em mim um pingo de esperança ou otimismo. Porque eu já vi a AEW tomar más decisões, mas sempre tive a certeza que arranjariam maneira de dar a volta por cima. Já vi a STARDOM tomar más decisões, mas consegui sempre encontrar um fundamento que me levasse a justificar o porquê de terem escolhido ir por ali. Já vi a MARIGOLD tomar más decisões, mas sempre tive a noção que, para além do dono ser quem é, o facto do roster ser relativamente jovem também não abona muito a seu favor.


A questão é que a WWE já tem um track record de más decisões – ou, no mínimo, de decisões altamente duvidosas – de tal ordem grande que nem isto, fazendo com que pule e salte (metaforicamente) do sofá como quando tinha sete ou oito anos e estava no primeiro pico da minha fandom de wrestling, me consegue deixar completamente descansado.


Talvez a culpa seja minha, em particular, e nossa, no geral. Porque o fã de wrestling é alguém extraordinariamente exigente, e às vezes tal exigência é um tanto quanto… desproporcional, admitamos.


O fã de wrestling é aquele que não admite ver um botch num combate, a não ser que seja o do seu wrestler favorito.


O fã de wrestling é aquele que despreza os milionários americanos que são donos das principais companhias da indústria, mas que quase idolatra os produtores executivos japoneses que, muitas vezes, planeiam por detrás das donas das companhias de wrestling cujo produto consomem.


O fã de wrestling é aquele fã que idolatra um wrestler em pequeno, mas quando este expõe a companhia que lhe paga e bate com a porta, passa de herói a vilão em menos de nada.


E este último ponto é ainda mais verdade se olharmos para os dois casos que o provam: CM Punk e Mercedes Moné. Quando CM Punk sai pela primeira vez da WWE em 2014, mesmo já tendo sido Campeão Mundial, mesmo já tendo sido Mr. Money In The Bank duas vezes consecutivas, mesmo tendo tido feuds icónicas com nomes como Rey Mysterio e Jeff Hardy, mesmo já tendo lutado contra o Undertaker na WrestleMania (que acredito que, naquela altura, fosse um dos objetivos de carreira para qualquer wrestler)...  Quando saiu de lá passou a ser a pessoa mais odiada da indústria, um ingrato, alguém que nunca teria sido quem foi se não fosse pela WWE (como se a ROH não tivesse feito esse trabalho todo antes…)


Com a Mercedes acontece a mesma coisa, porém, no sentido inverso: Quando estava na WWE, arrisco dizer que poucos eram aqueles que lhe reconheciam qualidade. Toda a gente a olhava um pouco de lado, ainda hoje não sei muito bem porquê – e olhem que eu não sou assim tão fã da Mercedes quanto isso.


Mas a partir do momento em que, naquele dia de Maio de 2022, ela bate com a porta na cara da WWE, o chip muda quase radicalmente. A partir daí, aquela que era besta passou a ser bestial; aquela a quem ninguém via um pingo de talento passou a ser a melhor wrestler do mundo; aquela a quem toda a gente olhava de lado passou a ser aquela para quem toda a gente olhava de lado sem motivo que o justificasse passou a ser aquela que, hoje em dia, é olhada de baixo. Ela e tantos outros e outras.



Isto para dizer o quê?, perguntam vocês que já estão perdidos no meio desta verborreia toda. Isto para dizer que, passados nove anos, a WWE vem, finalmente, a Portugal. 3 de Junho foi a data anunciada pela empresa, em meio a uma tour europeia que, uma vez mais, trará um PLE a solo europeu (Clash in Italy, 31 de Maio) e uma série de edições do RAW e do SmackDown a essa Espanha, França e Reino Unido (mais uma vez, Portugal fica a coçá-los).


Recordo-me da última vez que a WWE cá veio, sobretudo porque estávamos em Novembro de 2017, era eu um caloiro acabado de entrar na Universidade, e o professor do cadeirão do primeiro semestre do primeiro ano não me deixou ir, porque marcou frequência para o dia seguinte – felizmente, dois dos meus melhores amigos que lá foram não tinham aulas com ele. Oh mãe, tinhas-me feito para eu nascer em ‘97…



Mas recordo-me sobretudo dessa ocasião não por ter lá estado – que já se viu que não aconteceu – mas porque, mesmo nessa altura, as perspetivas para o regresso da WWE a Portugal eram melhores do que são agora. É verdade que tinha passado menos tempo desde a última presença da empresa em solo português naquela época (até ali, a última estadia da WWE no nosso país tinha sido em 2012, e se enganado não estou foi um live event com wrestlers do SmackDown).


Mas acima de tudo, eu creio que um dos fatores que contribuiu para isso é o facto da WWE – que naquela altura já sofria com a sua quase crónica incapacidade de criar novas estrelas – ter precisamente muito mais estrelas no seu roster do que neste ano de 2026. Vejamos: Naquela altura havia Roman Reigns, Seth Rollins, Dean Ambrose (nka Jon Moxley), Randy Orton, Bray Wyatt, AJ Styles, até o Jinder Mahal nessa altura era considerado uma estrela, ele que nessa altura era um surpreendente WWE Champion que protagonizara uma das mais meteóricas e inesperadas ascensões desde que há memória na indústria.



Olhando para os dias de hoje, é com tristeza que se constata que todo esse star power que a WWE tinha desapareceu com o passar dos anos. Jon Moxley é hoje a principal cara da principal concorrente da WWE; Randy Orton, ainda que permaneça nas boas – diria antes excelentes – graças do público europeu, está na fase final do seu percurso e já num papel mais altruísta do que aquele que tinha em 2017, mais de dar do que receber, digamos; Jinder Mahal está nas indies, porque assim como aquele primeiro semestre de 2017 foi sempre a subir, tudo o resto da sua segunda passagem pela WWE foi sempre a descer; Bray Wyatt, infelizmente, já não está entre nós; e AJ Styles está, neste momento, a aproveitar uma merecida reforma.


Portanto, que estrelas é que a WWE nos vai apresentar para além das três que nos sobram (Roman Reigns, Seth Rollins e Randy Orton)? LA Knight, que é uma estrela, efetivamente, mas apenas nos corações do público? Liv Morgan, que é a única que se destaca nos Judgment Day neste momento? Giulia, que só agora é que parece estar a ser colocada no caminho certo?



Oiço por aí muita gente a dizer que, em nove anos, cresceu uma nova geração de fãs. Não deixa de ser verdade – a mudança da WWE para a Netflix era a melhor coisa que podia acontecer numa sociedade que anda cada vez mais às voltas com o streaming – mas também não deixa de ser mentira.


E o motivo é o mesmo de sempre – e aquele que eu, de vez em quando, lá volto a trazer ao de cima: A forma de consumir wrestling em 2026 é diametralmente diferente daquela de 2006. Nem melhor e nem pior… diferente.


Em 2006 e nos três, quatro anos seguintes, havia a adrenalina de ver um show da WWE porque era a única réstia de programação jovem a passar numa TV que já se começava a “adultizar” com novelas e programas de daytime insossos e enfadonhos. Havia aquela adrenalina de ver wrestling porque as redes sociais ainda não tinham atingido a massificação exagerada dos dias de hoje, e por isso quem viu, viu, e quem não viu, tivesse visto. 


Em 2006 havia aquela adrenalina de ver – e acima de tudo consumir – wrestling porque queríamos chegar à escola e falar com os nossos amigos sobre a aura que tinha o Batista, a coragem de super-herói que transmitia o Rey Mysterio e o arrepio na espinha que nos causava o Undertaker – a quem chamávamos de “morto-vivo”, numa espécie de respeito ingénuo, mas reverente, pelo kayfabe.




Em 2026 as coisas não são assim. Em 2026 ainda se vê wrestling, ainda se consome wrestling, mas passa-se do plano da TV para o das redes sociais, onde damos a nossa opinião perante uma meia dúzia de estranhos de outros países e culturas que partilham a mesma paixão que nós, mas dos quais nós apenas conhecemos as opiniões.




Em 2026 já não há aquela urgência de ver wrestling. Eu falo por mim, por idiossincrasias da vida, não tenho conseguido acompanhar nada nas últimas semanas, mas descanso na certeza de poder recuperar o ritmo hoje, amanhã, no outro dia. Já não há aquele reverso da medalha de, como há pouco dizia, quem viu, viu, e quem não viu, só dali a uma semana.


Em 2026 já não há miúdos de 7,8,9 anos a chegarem à escola e a falarem com os amigos sobre o Cody Rhodes, o Roman Reigns ou o Drew McIntyre com o mesmo brilho nos olhos com que falavam do Batista, do Undertaker, do John Cena ou do Rey Mysterio.



E essa é uma das coisas que eu espero que o regresso da WWE a Portugal seja capaz de nos trazer, mesmo que apenas por uma noite: O brilho nos olhos de quando éramos crianças; a capacidade de reconhecer que o tempo passa, mas há paixões que ficam na mesma.

 

E vocês, como se sentem perante o regresso da WWE ao nosso país?


E assim termina mais uma edição de “Lucas Headquarters”! Não se esqueçam de passar pelo site, pelas redes sociais, deixem a vossa opinião aí em baixo… o costume. Para a semana cá estarei com mais um artigo!!

 

Peace and love, até ao meu regresso!!

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