Lucas Headquarters #225 – Royal Rumble 2026: Que nem o Melhoral: Não correu bem nem mal
Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Como estão? Sejam
bem-vindos a mais uma edição de “Lucas Headquarters”, a primeira deste mês de
Fevereiro, aqui no WrestlingNotícias!!
Ora digam-me cá: O que acharam do Royal Rumble deste ano?
Bom? Mau? Assim-assim? Tanta coisa que há para dizer – e para refletir também –
e é sobre isso que vamos falar hoje.
Mas antes, há aqui uma questão – que também tem a ver com o Royal
Rumble – que me deixou surpreendido e, admito, até me fez levantar um bocadinho
o sobrolho, qual The Rock: Não sentem que o Royal Rumble deste ano teve muito
pouco hype? Porque eu sim.
Eu não sei se foi por ser na Arábia – e nós já sabemos como é
que a grande maioria do público reage a eventos que são feitos por lá, eu
próprio não fico indiferente a isso, e duvido muito sinceramente que alguém fique,
quer a reação seja positiva ou negativa – ou se simplesmente a malta tinha
pouca fé ou achava previsível tudo aquilo que se ia passar (e já falaremos
sobre isso mais à frente) mas eu achei a edição deste ano do Royal Rumble uma
das edições do Royal Rumble em específico – e de qualquer PLE da WWE de uma
maneira geral – com menos hype, menos entusiasmo dos últimos anos.
E digo isto porque o Royal Rumble é sempre uma das datas mais
entusiasmantes do calendário da WWE, não só pelo simbolismo que carrega consigo,
marcando o início do caminho que nos vai levar até à WrestleMania, mas também
pelo significado que tem o Royal Rumble num sentido mais… filosófico, diria: O
Royal Rumble quase sempre acontece em Janeiro (à exceção do ano passado, em que
teve lugar a 1 de Fevereiro, o que não surpreende tendo em conta que as datas
da WrestleMania têm sido particularmente tardias nos últimos anos).
Janeiro é, por excelência, um mês de recomeços, quer nós
levemos esses recomeços adiante ou nos esqueçamos deles no dia 2 de Janeiro – e
não mintam, já todos nós o fizemos. E, muito embora o conceito de “recomeço”
para a WWE só ganhe vida no dia imediatamente a seguir à WrestleMania, devido
ao facto da WrestleMania ser o culminar de um ano de trabalho para a empresa, a
verdade é que, nos últimos anos, com a quantidade de novos nomes que têm
chegado à empresa (quer através da própria máquina da WWE, personificada no seu
Performance Center, quer através da contratação de talento a outras empresas) o
Royal Rumble tem ganho cada vez mais significado como um veículo para a criação
de novas estrelas, ou como instrumento de avaliação para ver o que é que a WWE
planeia fazer com muitas das novas caras que, todos os anos, nos vão surpreendendo
em ambos os Rumbles.
Se é verdade que a WWE já vê os combates Royal Rumble como
esse tipo de veículo há muitos anos, os fãs só agora começaram a ver os combates
Royal Rumble dessa forma (claro está, influências da internet, essa caixinha onde
as opiniões vão do céu ao inferno e do inferno ao céu num insignificante
estalar de dedos).
Portanto, é perfeitamente natural que a exigência dos fãs
relativamente à qualidade de um PLE como o Royal Rumble tenha aumentado. Bem sei
que, para muitos, o conceito de exigência carrega um oito ou oitenta muito
vincado – como aliás ainda agora fiz questão de assinalar: Ou corre tudo muito
bem e a WWE faz um evento que fica na História e que vai ser recordado para o
resto da vida, ou então corre tudo mal e dizemos cobras e lagartos da empresa,
rogamos-lhe as mais impensáveis e inconcebíveis pragas que existem, chamamos
mil e um nomes ao Triple H e dizemos que a herança de Vince McMahon ainda
persiste.
E quando o facto do Royal Rumble ser na Arábia Saudita
possibilita a meio mundo ver tudo o que se passa em direto, as opiniões
vincam-se e extremam-se ainda mais porque, ao ver em direto, nós olhamos para a
ação a acontecer e não temos tempo para deixar a opinião “marinar”, como
aconteceria se víssemos em diferido.
Porque em diferido nós, inadvertidamente, apanhamos um spoiler
ou outro, vamos dormir chateados porque sabemos o vencedor antes de ver tudo,
mas depois vemos, encontramos a lógica no meio daquilo tudo e percebemos que,
se calhar, há um pouco de sentido na escolha a ser feita. Em direto, isso não acontece:
Aquilo que acontece é aquilo que se vê, gostemos ou não.
Por isso é que, este ano, é mais difícil expressar uma
opinião sobre o Royal Rumble – quer o evento em geral, quer os combates em particular
– do que foi no ano passado. Tudo bem que o Rumble do ano passado carregava
consigo mais pontos de interesse do que o Rumble deste ano: Havia John Cena no
seu último ano de carreira, havia CM Punk que era um dos favoritos à vitória, e
havia um Jey Uso que estava nos píncaros da popularidade – foi ele, de resto,
quem acabou por sair vencedor, numa decisão ainda hoje muito contestada, e com
alguma razão. Este ano não houve nada disso, nem a WWE quis dar sinais de que
iria haver algum tempo de surpresas, o que também justifica o pouco hype que
vos falei há pouco.
Previsibilidade (outra vez)
Enquanto faço a análise ao que vi ontem no Royal Rumble, dou
por mim a recuperar muitas das coisas que disse a respeito do Royal Rumble do
ano passado.
No Royal Rumble do ano passado apontei três erros que a WWE
cometeu no booking do PLE. E os erros eram três: Previsibilidade,
a obsessão com Logan Paul, e os vencedores, profundamente mal
escolhidos.
Ora, para surpresa de ninguém, a previsibilidade manteve-se
de um ano para outro. O público esperava AJ Lee e levou com a Natalya (perdão,
com a Nattie) a fazer um cosplay da Shayna Baszler; o público esperava o
regresso de Paige e levou com a participação das Bella Twins; o público ansiava
por Bianca Belair, e teve de se contentar com a Lola Vice…
Contudo, este ano, a previsibilidade atingiu contornos mais
descarados, se é que é possível usar este vocábulo neste sentido. Liv Morgan era
a principal favorita a vencer o Royal Rumble deste ano, e acabou por fazê-lo
numa vitória que, para mim, é inteiramente merecida, mais não seja porque, nos últimos
anos, tem sido ela – a par de Rhea Ripley e, agora, de IYO SKY – a carregar a
divisão feminina em toda a WWE. Mas a própria empresa nem se preocupou assim
tanto em criar a mais pequena dúvida de que seria a integrante dos Judgment Day
a levar os louros de ter eliminado outras 29 concorrentes.
Se querem um exemplo onde isto fica bem vincado: Sol Ruca.
Nada contra, Sol Ruca é, quanto a mim, uma das melhores wrestlers de
toda a divisão feminina da WWE, conseguindo destacar-se quer pela sua apresentação,
quer pelo seu estilo, quer pela forma como consegue trabalhar com outros
talentos dados a papéis que são, à primeira vista, mais óbvios e específicos (como
é o caso da dupla que faz com Zaria, e que tanta popularidade tem trazido a
ambas). Mas mantê-la no combate até à reta final já deixava antever o que ia
acontecer. E Tiffany Stratton nunca ganharia um Royal Rumble tão pouco tempo
depois de ter sido campeã, obviamente.
Se Sol Ruca fez um excelente Rumble? Sem dúvida, eu próprio
não o esperava. Mas pela forma como as coisas aconteceram, eu diria que muito
pouca gente se lembrará no impacto que a surfista do NXT teve no combate. As
boas notícias é que tudo isto parece ser um sinal de que a Sol poderá estar de
malas aviadas para o Main Roster, portanto certamente teremos outros pontos
interessantes do seu futuro percurso para os quais poderemos olhar.
No caso de Roman Reigns, a previsibilidade manifesta-se de uma maneira diferente. O Royal Rumble masculino, apesar de igualmente insípido, foi ligeiramente melhor do que o feminino, muito à conta do seu excelente início, da estreia de Powerhouse Hob… peço desculpa, Royce Keys e do final quase titânico. Mas a escolha do Tribal Chief para vencedor expõe um problema muito mais grave: Neste momento, e tirando da equação CM Punk – que é o outro Campeão Mundial que a empresa tem neste momento – a WWE só confia em três nomes para alavancar a sua main event scene: Cody Rhodes, Drew McIntyre e, precisamente, Roman Reigns.
Bem sei que o Sami Zayn já tinha tido um brutal combate com o
Drew momentos antes do Rumble. Mas o Gunther também tinha acabado de retirar o
AJ Styles e foi ao Royal Rumble marcar a sua posição. E porque não o Sami a
ganhar a Rumble? Haverá alguém mais capaz de ombrear com os grandes nomes da
empresa como ele? Ele não mostrou já o que é capaz de fazer em frente a Kevin
Owens, aos Usos, a Roman Reigns? Como é que alguém muito mais limitado em
ringue como o Jey Uso sobe mais depressa à main event scene do que
alguém que é tão ou mais popular (veja-se as reações do público cada vez que
ele aparece, seja na Arábia, seja na Europa, seja nos Estados Unidos) e mais
completo em ringue? Não dá para perceber…
AJ Styles: O fim perfeito
Já todos sabíamos que ia acontecer, porque, se é de AJ Styles
que estamos a falar, então a palavra dada é mesmo palavra honrada. Mas eu diria
que o fim de carreira de AJ Styles foi mesmo o fim perfeito. E perfeito porque,
ao contrário de John Cena, que já sabíamos que ia acabar por abanar a bandeira
branca nalgum momento do combate, Styles lutou até ao fim. AJ Styles fez-nos
acreditar que seria capaz de vencer Gunther, que é agora um verdadeiro career
killer. E isso tornou tudo tão mais especial!!
Só há um detalhe que me saltou à vista, e acredito que a muitos
de vocês também: AJ Styles ia deixar as suas luvas no centro do ringue, mas nesse
exato momento voltou a colocá-las. Será que este é apenas o fim de AJ Styles na
WWE e vamos poder vê-lo noutras paragens?...
Royal Rumble: Uma análise geral
Podia dizer que, de um ano para outro, houve muita coisa que
mudou – há sempre essa tentação, vá-se lá saber porquê – mas, a verdade, é que
as coisas não mudaram assim tanto: Tivemos a mesma previsibilidade, tivemos o
mesmo “já tinha visto isto antes”.
Foi um Royal Rumble em que a WWE procurou sobretudo consolidar
em vez de arriscar. Essa tem sido sempre a mentalidade de Triple H no que diz
respeito a PLE: Antes conservar o que de bom (supostamente) está feito, do que
inovar e criar algo novo. E acredito que, este ano, esta mentalidade tenha sido
exacerbada pelo facto de a WWE ter criado – ou pelo menos tentado criar – uma nova
estrela no Rumble passado, e a maior parte do público não ter reagido muito bem
à forma forçada e artificial como isso aconteceu.
Valeu-nos a forma emocionante e profundamente simbólica como
AJ Styles se despediu dos fãs, mas em suma, foi um Royal Rumble que reflete a
imagem daquilo que tem sido a WWE sob tutela criativa de Triple H: Pouca ambição,
pouca inovação, mas a crença de que isso é suficiente para seguir em frente
apenas porque é da WWE que estamos a falar. Certo, por mais desinteressante que
esteja o produto, a WWE vai sempre estar no topo porque é um produto pouco
exigente para pessoas pouco exigentes, e isso reflete-se não só na qualidade
mediana dos combates Royal Rumble que tivemos este ano, como também pela insistência
da WWE em dar vitórias nos Rumble Matches a pessoas que dele não precisam, ou
cuja vitória não vai fazer, de um dia para o outro, com que os fãs passem a
tê-los em conta para o que quer que seja (Jey Uso no ano passado, Roman Reigns
neste ano).
Não seria descabido dizer que o Royal Rumble de 2026 foi como o Melhoral: Não correu bem nem mal. Mas se para a WWE, isso já é algo de muito positivo, quem somos nós para dizer o contrário?
E vocês, o que acharam do Royal Rumble deste ano? Concordam
com os vencedores dos dois Rumbles?
E assim termina mais uma edição de “Lucas Headquarters”! Não
se esqueçam de passar pelo site, pelas redes sociais, deixem a vossa opinião aí
em baixo… o costume. Para a semana cá estarei com mais um artigo!!
Peace and love, até ao meu regresso!!





