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Lucas Headquarters #224 - E se AJ Styles se despedir mesmo no Rumble?


uma edição de “Lucas Headquarters” aqui no WrestlingNotícias!! Como é que estão a sobreviver a toda esta chuva que sobre nós cai? Têm conseguido não se molhar? Ao menos isso… É que eu não sei quanto a vocês, mas para mim é a primeira vez que chove a potes desde a última vez que choveu a potes…


E este tempo mais… soturno, digamos assim, combina na perfeição não só com o tom mais “abatido” que perpassa esta segunda-feira gigante que é o mês de Janeiro, como também com aquilo que tem sido o tónico da maior parte dos artigos que tenho escrito ao longo deste mês, mês e meio.


Desde Dezembro do ano passado, com o adeus de John Cena aos ringues, que as palavras que dominam o mundo do wrestling têm sido “reforma”, “adeus”, “despedida”, “final” e outras palavras semanticamente semelhantes. E em princípio, assim continuará a ser pelo menos até Abril, uma vez que, para além da WWE, também na STARDOM vamos contar com mais uma despedida dos ringues, já que Saki Kashima anunciou, no início do mês, que também ela ia dar por terminada a sua jornada nesta aventura a que chamamos wrestling. Portanto, como podem ver, está tudo em consonância com esta chuva... Mas e se fizesse sol? E se em vez das gotas de água fria e do tempo cinzento tivéssemos céu limpo e raios de sol? Será que havia assim tantas despedidas dos ringues? Quer-me parecer que a maior parte dos wrestlers só se quis retirar porque a natureza criava um cenário poeticamente perfeito.



Estou a gozar. Como aqui disse anteriormente – e em várias ocasiões – poder escolher o momento certo para sairmos de cena e o modo como o queremos fazer é um dos maiores privilégios que o wrestling nos pode dar. Isso e a sensação de que, mesmo que a nossa carreira termine, o nosso legado vai continuar vivo, porque as empresas vão continuar a exaltar e elogiar o trabalho que fizemos, e os fãs vão continuar a apreciar o impacto que tivemos nas suas vidas, e vão contar a história da nossa carreira aos sobrinhos, aos filhos, aos netos.


E, por muito que nos doa e que nos custe, é, também, um sinal positivo ver que vários wrestlers estão a disfrutar desse privilégio. Porque isso não os tranquiliza só a eles – que sentem que fizeram tudo o que podiam e cumpriram, assim, na perfeição com a sua missão de nos entreter e proporcionar um saudável escape para a impiedosa rotina das nossas vidas diárias – mas também nos tranquiliza a nós, que não ficamos com aquela sensação de “o que poderia ter sido”.


Pessoalmente, confesso que essa é uma sensação que me assalta a miúde quando falo de wrestlers que eu não vi lutar mas com cujo legado eu tenho contacto quase diário, e que terminam as suas carreiras cedo. Falo, por exemplo, de Eddie Guerrero, de Chris Benoit, de Arisa Hoshiki ou de Hana Kimura – esta última com uma saudade bastante curiosa, porque sinto que estavam mesmo a prepará-la para ser a próxima grande estrela do joshi.


E toda esta verborreia para quê? Para vos dizer que o fim de carreira de AJ Styles está mais próximo do que nunca - tal como, de resto, o próprio já tinha confirmado. E tudo indica que será já no Royal Rumble.



Vou ser sincero convosco: O timing, ou melhor, a escolha de AJ Styles para ter 2026 como o ano em que a sua carreira chega ao fim não me choca (penso que, tal como eu, conhecerão e compreenderão os motivos). O que me choca é ser no Royal Rumble.


E choca-me a escolha do Royal Rumble não porque o Royal Rumble seja um palco menos significativo do que uma WrestleMania ou do que um Summerslam (afinal, estamos a falar de um dos chamados big four da WWE) mas porque, geralmente, a WrestleMania é o culminar de todo um ano para a WWE. É onde a empresa se pode regozijar e colher os frutos de um ano de trabalho (se foi bem feito ou mal feito, isso agora não vem ao caso). Mas é, sobretudo, na WrestleMania que até mesmo aqueles fãs mais casuais que não consomem WWE de forma regular e rotineira encontram os seus maiores pontos de interesse. É nesse evento que quase todos eles convergem, mais pelo trabalho da máquina mediática da WWE do que, como acabei de dizer, pelo consumo rotineiro e consistente do produto.


Por isso, eu acredito que a WrestleMania fosse a altura ideal para AJ Styles arrumasse definitivamente as botas – e já vou explicar porquê, olhando para isso para o parco build-up que tem sido feito do Royal Rumble deste ano, ainda que sem grande substância porque, em princípio, havemos de falar nisso para a semana. 


Porquê 2026? O ano em que a carreira de AJ Styles 

descreve um círculo





Como vos disse ainda há pouco, não me choca o facto de AJ Styles ter escolhido o ano de 2026 para dar por encerrada a sua carreira no wrestling. E isto não tem nada a ver com o facto de ele potencialmente ter acordado no dia 1 de Janeiro deste ano e ter dito “olha, já estamos em 2026? Então pronto, este ano apetece-me acabar a carreira”. Isso seria, a meu ver, demasiado simplista e até um tanto quanto insípido.


A escolha de 2026 como o ano para AJ Styles terminar a sua carreira no wrestling tem que ver, sobretudo, com o facto de passarem dez anos desde a sua chegada à WWE. E reparem que eu digo isto com especial pompa e circunstância porque, nos tempos que correm, muitos wrestlers não chegam a estar dez anos numa empresa – e isso é tudo menos um mau sinal, é um sinal de que este nosso mundinho está a prosperar e está em constante desenvolvimento.


Mas eu diria que a escolha de 2026 como o ano para AJ Styles acabar o último capítulo da sua história tem o seu não sei quê de poético – e isso é uma das coisas mais belas que o wrestling nos pode oferecer. Já imaginaram o que é vocês demorarem vinte, vinte e cinco anos para chegarem àquela que é a maior empresa de wrestling a nível mundial, precisarem de apenas dez anos para criarem impacto na empresa e arrumarem as botas passados dez anos, com todo o impacto que vocês criaram a servir-vos de consolo?


Já imaginaram o que é serem recebidos na WWE por um dos GOATs da empresa como é o Chris Jericho – e sim, eu sempre mantive esta opinião mesmo nestes anos todos em que ele esteve na AEW – conseguirem vocês próprios atingir esse estado em apenas dois, três anos – e agora ajudarem a cimentar um GOAT como o Gunther?


Na conjuntura atual da WWE – em que decisões duvidosas nos aparecem em maior número do que decisões minimamente bem fundamentadas – a história de AJ Styles foi uma das poucas coisas que a empresa conseguiu gerir como deve ser. A WWE soube sempre colocar AJ Styles nos lugares certos, nos momentos certos: Vendo que John Cena já começava a transitar para um papel mais part-time, cimentou-o como a nova cara da empresa.


Quando o midcard precisou de um abanão, a empresa colocou AJ Styles como a principal cara e deu oportunidade para outros wrestlers que possivelmente nunca seriam main-eventers de brilharem contra um que seria main-eventer em qualquer circunstância. Quando Undertaker queria retirar-se em grande mas não havia storylines nem adversários que lhe pudessem fazer justiça – em parte, também, devido às circunstâncias da altura – AJ Styles chegou-se à frente e a WWE deu-lhe uma hipótese (que, podemos dizer, ele próprio fez questão de não desperdiçar). Meus amigos, quando se é wrestler e se tem oportunidade de retirar aquele que é um dos maiores wrestlers – senão mesmo o maior – de sempre, é porque também já se atingiu um estatuto que poucos conseguem alcançar.





O que é que a despedida de AJ Styles fará pela 

carreira de Gunther?



Aqui chegados, parece-nos óbvio que Gunther vai ser o principal responsável pelo fim da jornada de AJ Styles no wrestling. E não é que ele não mereça esse papel – acho que, depois do que aconteceu com John Cena, era o melhor que lhe poderia ter acontecido, pois contribui para a sua consolidação como um heel temido por muitos e odiado por todos. Mas também há aqui outra coisa que não me está a assentar tão bem quanto isso.


Como sabem, Gunther foi World Heavyweight Champion num passado não muito distante. E como também sabem, esse reinado não foi tão empolgante e tão geralmente positivo como aquele que teve como Intercontinental Champion e que fica na história como o mais longo de sempre (666 dias).


Muito se disse e se criticou sobre esse reinado enquanto World Heavyweight Champion, o que não se fez, o que se fez, mas que podia ter sido feito de uma outra forma, e o que ficou por fazer de um todo. E a WWE tem consciência disso, mal feito se não tivesse. Mas o que me parece é que, ao transformar Gunther num career killer – como Michael Cole tão assertivamente o apelidou – a empresa está, de um certo modo, a tentar esconder o falhanço do reinado de Gunther como World Heavyweight Champion.


E a questão é que, contra todas as expectativas, a coisa está a resultar. Com Goldberg o impacto não foi assim tão grande – Goldberg não é, ele próprio, um wrestler muito consensual entre os fãs – mas se com John Cena o heat em torno do Ring General já foi aquilo que foi, acabar com as carreiras de John Cena e AJ Styles num espaço de dois meses consolidá-lo-á como um heel “à antiga”, por assim dizer, um heel cujo único objetivo é, puramente, provocar a ira e o repúdio dos fãs.


Quanto a AJ Styles em si, eu penso que a escolha do Royal Rumble como PLE para o seu adeus é, sobretudo, uma bela maneira de encerrar uma carreira e um percurso – na WWE em particular – que muitos fãs consideram como sendo muito bom, mas que me parece que, ainda assim, não tem o reconhecimento que merece. Porquê? Eu quero acreditar que as razões sejam parecidas com aquelas que nos levaram a torcer o nariz a John Cena durante tantos anos – muitos de nós tomamos AJ Styles como garantido – mas sobretudo porque, na linha do tempo, dez anos não são, muitas vezes, suficientes para construir uma carreira de sucesso.




Mas AJ Styles conseguiu. E não só conseguiu como terá, sem dúvida, garantido o seu lugar no WWE Hall of Fame um dia. E agora admitam: Com o Vince a mandar naquilo, elevar a maior figura de uma empresa concorrente como a TNA era na altura a World Champion, United States Champion (todos estes títulos ganhos múltiplas vezes) e último adversário do Undertaker – com tudo o que isso significa – era impensável a 24 de Janeiro de 2016, não era?

Maybe that’s the proof he’s truly… phenomenal.


Obrigado por tudo, AJ Styles!!


Até para a semana, pessoal!!

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