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Lucas Headquarters #223 – Maki Itoh na STARDOM: Se isto vos chocou, a culpa não é dela…


Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Sejam bem-vindos a mais uma edição de “Lucas Headquarters” aqui no WrestlingNotícias!! E que tal vai esse dia de reflexão? Já refletiram tudo? Já decidiram em quem é que vão votar (quem o pode fazer, é claro!!)?


Ainda bem. Votem. Votem. Votem mas não digam em quem é que votam, primeiro, porque o voto é como o trabalho para um alentejano: É um segredo que não se diz a ninguém. E depois porque, como as coisas estão, se por acaso vos foge a boca para a verdade e acabam por dizer em quem é que vão votar – nem que seja por acidente, às vezes pode acontecer – ainda são chamados de “fascistas” ou de “reacionários”, conforme a ideologia em que as vossas posições se enquadram. Não queiram entrar por aí, a sério. O mundo é tão mais bonito quando a malta faz o que lhe compete sem chatear os outros.


Há duas semanas atrás, eu fiz uma espécie de “perspetiva” para o ano de 2026 no wrestling – há três semanas, no último dia do ano, tinha feito uma retrospetiva, uma análise, se assim quisermos, recapitulando tudo o que de especialmente relevante havia acontecido em 2025 – e há duas semanas, no primeiro artigo do ano, lancei uma perspetiva.


E se é verdade que essa perspetiva que lancei tinha menos conteúdo do que a retrospetiva lançada uma semana antes, não é menos verdade que o foco desse primeiro artigo de 2026 foi muito menos geral e muito mais particular, focando-se mais num acontecimento em específico do que nos acontecimentos de uma forma geral. Resumindo: Na retrospetiva fiz um apanhado de tudo, na perspetiva joguei mais pelo seguro (no pun intended).


Mas 2026 tem, desde cedo, querido contrariar as expectativas dos fãs no que à imprevisibilidade diz respeito. E digo isto porque muitas vezes é preciso esperar até à altura da WrestleMania (ou até um pouco mais cedo) para perceber o que é que vai mudar ao longo do ano – e ainda no outro dia eu falava nisto com um outro amigo meu que é também parte ativa deste nosso mundinho e destacado produtor de conteúdo audiovisual. 


Isto acontece por uma miríade de razões, mas talvez a principal seja porque é em alturas de Março/Abril que as grandes empresas começam a montar os matchcards para aqueles que são os principais PPV’s (ou PLE, conforme queiram chamar) do ano, e sobretudo porque é mais ou menos por essa altura que ocorre aquele PPV que geralmente acaba sempre por influenciar e/ou determinar o curso do ano numa empresa.


Vejamos: A WWE tem a WrestleMania, que é, a bem dizer, o culminar de um ano de trabalho para a empresa. E tudo no calendário da WWE funciona em torno daqueles dois, três meses em que percorremos a Estrada que nos leva ao Maior Evento do Ano.



Com a AEW, por exemplo, já é mais difícil encontrar um PPV que possamos dizer que é decisivo para o decurso do ano a nível do calendário, mas eu diria que, tendo em conta a “magnitude” – à falta de um melhor termo – de tudo o que aconteceu e a forma como as storylines se desenrolaram a partir daí, podemos dizer que o All In, que se realiza mais ou menos ali para meados de Julho, é aquele evento onde a Elite atinge o seu “pico” em termos de ação ou de booking – o que não implica, claro está, que no resto do ano o booking da AEW fique um pouco mais aquém: A consistência tem sido uma das grandes virtudes da empresa de Tony Khan, mesmo que a qualidade do seu produto atinja padrões mais baixos em certas alturas do ano.



O único “polo” do wrestling onde costumamos ver desfechos surpreendentes logo por esta altura do ano é no japonês. E poderíamos invocar aqui mais outra série de razões pelas quais isso acontece, mas parece-me que a que contribui de sobremaneira para isso é o facto da New Japan iniciar logo o ano com o seu maior evento, o sempre magnífico Wrestle Kingdom, que este ano atingiu 20 edições. De resto, no WK deste novo ano já tivemos uma grande surpresa: Syuri, a IWGP Women’s Champion, derrotou a imparável Saya Kamitani para ficar com o NJPW STRONG Women’s Champion num Winner Take All Match que foi bem divertido de ver.




Mas não só. A STARDOM, uma semana mais tarde, guardaria outra surpresa para o seu público, e é sobre ela que vos vou falar hoje: A chegada de Maki Itoh ao seu roster, desta vez a título definitivo (e olhando à escolha de palavras, até parece que ela acabou de ser anunciada como reforço de inverno de um qualquer Real Madrid no mercado de transferências).



Sejamos sinceros: Independentemente de todas as contratações ou movimentações que as companhias mais mainstream (WWE, AEW, NJPW, STARDOM, MARIGOLD e por aí vai) fizerem nos seus rosters, a chegada de Maki Itoh à STARDOM será sempre candidata ao galardão de “contratação do ano” nos óscares do círculo quadrado – já vamos ver por que razões. Ainda assim, é inegável que a chegada de Maki constitui um grande trunfo para uma empresa à qual as coisas… nem sempre têm corrido da forma que muitos esperam.


Surpreendente ou apenas uma formalidade?




Desde que saíram as notícias de que Maki Itoh tinha assinado pela STARDOM que tenho visto muita gente surpreendida com a sua chegada, da mesma forma que tenho visto muita gente cética com o seu ingresso na companhia – o que é normal, que isto os gostos e as opiniões são que nem… vocês sabem, cada um tem o seu. O que interessa perceber aqui é se já podíamos antever a chegada de Maki Itoh à STARDOM ou não, sendo que é esse detalhe que está a catalisar muitas das reações que temos visto.


Reparem: Maki Itoh esteve na TJPW até meados do ano passado, mas mesmo assim, Itoh-chan sempre foi uma wrestler que se sentiu mais à vontade seguindo o seu próprio caminho. Tanto assim é que ela teve contrato com a referida companhia durante quase uma década (nove anos, mais precisamente) e mesmo nesse tempo todo ela conseguiu marcar presença em eventos da AEW e, sobretudo, da GCW, onde de resto era presença regular e onde se vai reencontrar com Rina Yamashita, que já enfrentou nos ringues da empresa.



Do mesmo modo, o recrutamento de talentos com passado na TJPW por parte da STARDOM, não acontecendo de uma forma muito frequente (até porque, obviamente, estamos a falar de duas empresas que lutam pelo domínio da mesma esfera, isto é, do joshi como forma de entretenimento subordinada ao wrestling e também como mercado) também não é algo que acontece pela primeira vez.


Dou-vos um exemplo que se calhar muitos de vocês nem sabem que existe: MIRAI. A maioria das pessoas conhece MIRAI pelo seu trabalho na STARDOM e na MARIGOLD, se bem que é o trabalho que MIRAI desenvolveu na primeira entre 2021 e 2024 que nos fica na memória, sobretudo por ter convivido de perto com Giulia e principalmente com Syuri, de quem se pode dizer que foi mentoranda no seu tempo como parte das God’s Eye. 



De facto, o seu tempo na STARDOM foi bem mais produtivo do que o seu tempo na MARIGOLD, já que MIRAI foi Wonder of STARDOM Champion, Goddess of STARDOM Champion, Artist of STARDOM Champion e venceu o Cinderella Tournament de forma consecutiva, tendo ganho as edições de 2022 e 2023, igualando Mayu Iwatani como a única wrestler a vencer duas edições seguidas do torneio. Mas muito antes de chegar à fama que alcançou na STARDOM e na MARIGOLD, MIRAI partiu muita pedra na TJPW, e provou que não foi preciso vencer títulos para ver o seu trabalho reconhecido.


Maki Itoh não precisou de empreender metade do esforço de MIRAI para que as oportunidades chegassem até si, já que o currículo que foi construindo fez metade do trabalho. Mas eu diria que o que leva Maki Itoh até à STARDOM é, acima de tudo, o elevado capital de experiência que foi capaz de construir com apenas 30 anos. 


A STARDOM é um roster que tem rookies numa proporção quase tão grande à de nomes experientes, pelo que é sempre preciso ter alguém para quem elas possam olhar à medida que vão subindo na hierarquia da empresa. Taro Okada acaba por fechar uma contratação excelente, mas sobretudo prudente, já que o seu foco parece ser agora o de solidificar o presente enquanto garante o futuro da empresa. Desta forma, a contratação de Maki Itoh não é uma formalidade – Maki Itoh ainda levou uns meses como freelancer, pelo que qualquer empresa lhe poderia ter oferecido um contrato, mas também acaba por não surpreender.


O que é que a contratação de Maki Itoh nos diz 

sobre o rumo da STARDOM em 2026?



Já aqui o disse várias vezes de diferentes formas: Os últimos dois anos não têm sido simpáticos para a STARDOM. Por entre polémicas, transições de poder, perdas de talento para outras empresas e uma grande dificuldade em fazer um booking consistente dos seus talentos, Taro Okada tem mostrado imensas dificuldades em gerir convenientemente a qualidade do seu roster.


Da mesma forma – e paradoxalmente falando – o booking feito por Taro Okada no decurso do ano passado já demonstrou francas melhorias em relação àquilo que vimos em 2024, pese embora muito desse booking tenha sido orientado para a vitória histórica de Saya Kamitani nos prémios da Tokyo Sports.


O último Dream Queendom foi prova disso: O combate do regresso de Starlight Kid foi bastante bom; Sareee vs Natsupoi contou uma história excelente, com Natsupoi a demonstrar toda a sua resiliência perante uma Sareee que atua cada vez mais como um final boss do joshi; e o Main Event entre Saya Kamitani e Saori Anou, apesar de previsível no resultado, foi bastante bom na qualidade, com boas doses de brutalidade, demonstradas sobretudo pela desafiante – quando a desafiante faz a campeã sangrar do nariz…


A chegada de Maki Itoh à STARDOM confirma essa tendência de melhoria, embora tenhamos que esperar mais uns meses para ver se essa tendência se confirma e de que forma. Como disse ainda há pouco, Taro Okada quer solidificar o presente e garantir o futuro, mas também quer assegurar que o seu roster não perde nem experiência, nem qualidade. Uma coisa é certa: As desculpas para a incapacidade de Taro Okada em fazer um bom booking, se já estavam esgotadas com a presença de SLK, Saya Kamitani, AZM, Natsupoi, Saori Anou… muito mais se esgotam agora. Mas quero acreditar que, depois do bom Dream Queendom que vimos, 2026 será um ano em que as coisas para a STARDOM só podem melhorar.


E vocês, o que acham da chegada de Maki Itoh à STARDOM? Acham que poderá contribuir para a melhoria da qualidade do produto da empresa?


E assim termina mais uma edição de "Lucas Headquarters"!! Não se esqueçam de passar pelo nosso site, pelas nossas redes sociais, deixar sugestões aí em baixo... o habitual. Para a semana cá estarei com mais um artigo!!


Peace and love, até ao meu regresso!!

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