Lucas Headquarters #222 – Até que enfim!!
Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Como estão? Sejam
bem-vindos a mais uma edição de “Lucas Headquarters” aqui no
WrestlingNotícias!!
Havia muita coisa sobre a qual poderia falar hoje, mas vou
deixar algumas para a próxima semana por conta do impacto que tiveram – que foi
de tal ordem grande que me faz querer que a referência não arrefecerá assim tão
depressa. Sim, para quem não sabe, os inícios do ano são sempre mais propícios
a grandes surpresas ou grandes movimentações: Os bilionários que gerem as
empresas gostam de começar os anos em grande – e muitas vezes, os próprios wrestlers
também.
Antes de irmos propriamente ao assunto que me traz cá hoje,
não podia deixar de dedicar uns parágrafos ao grande Hiroshi Tanahashi, que deu
por terminado o seu percurso no wrestling no Wrestle Kingdom 20. E não
tivessem as coisas acontecido da maneira como aconteceram, muito provavelmente
o tema de conversa para esta semana seria ele.
Bem sabemos que cada país tem um estilo diferente de wrestling.
O americano, por exemplo, dá primazia ao aspeto cinemático da coisa (ou não
fossem os Estados Unidos o grande berço da cultura cinematográfica, das
histórias fantásticas e das personagens que nos ficam para a vida); o mexicano
é mais vistoso, mais espetacular do ponto de vista do limite gravitacional até
onde o corpo humano pode chegar, dando origem ao conhecido estilo lucha
libre que cativou muitas crianças na altura em que começaram a ver wrestling
(e nisso bem podem agradecer ao Rey Mysterio) e que ainda hoje cativa
muitos fãs em redor do mundo, graças a companhias como o CMLL; o japonês é, na
minha humilde opinião de quem disto percebe tanto como de engenharia aerospacial,
aquele que mais próximo está da realidade, precisamente por ter na sua génese
elementos que pertencem às artes marciais mistas – e como sabem, no mundo da
MMA já não há resultados pré-combinados nem coreografias que nos possam salvar
o pelo. Ou se é um homem de barba rija ou uma mulher com tomates – ainda que
metafóricos – ou então, está tudo lixado.
Da mesma forma que cada estilo de wrestling tem uma
particularidade a ele associada – o americano baseia-se mais em histórias
fantásticas, o mexicano num estilo mais voador e visualmente espetacular, e o japonês
num estilo mais brutal e próximo à realidade – esse mesmo estilo tem uma
empresa que o define – normalmente é sempre a maior empresa a ele associado – e
por consequência um wrestler que age como sendo o seu porta-estandarte,
ou, se quisermos usar uma linguagem mais mordaz, a sua “mascote”.
A WWE teve, nos últimos 20 anos, John Cena e Undertaker. A
AEW tem o Kenny Omega. Até há um ano e meio atrás, a CMLL tinha a Stephanie
Vaquer. A cena japonesa tem, atualmente, a Mayu Iwatani a representar a
vertente joshi. E o puroresu em si teve, durante quase trinta anos,
o Hiroshi Tanahashi.
Quando falamos do Hiroshi Tanahashi não estamos a falar
apenas de um wrestler. Mas estamos a falar de alguém que ajudou a moldar
a New Japan àquilo que é hoje. E, estando numa altura onde é muito fácil saltar
de companhia em companhia até encontrarmos aquela que mais se encaixa na nossa
visão daquilo que é o wrestling, estar perante um wrestler que
representou a mesma empresa durante vinte e sete anos é estar, também, perante
um notável caso de longevidade.
Mas não só. Tanahashi não representou apenas a NJPW da mesma
forma que John Cena e Undertaker representaram a WWE, mas serviu a própria
empresa de uma maneira que lhe permitiu ascender na pirâmide social do wrestling
sem que fosse olhado com desdém ou resistência por parte da maioria dos
fãs. E estou a dizer isto porque sim, nós sabemos que o Triple H foi um dos
melhores wrestlers do seu tempo, e dentro dos vários anos em que esteve
no auge sempre trabalhou tanto quanto pode para nos dar momentos memoráveis ao
longo das décadas.
Mas se há área onde o papel de “advogado do Diabo” cai que nem
uma luva é no wrestling, precisamente. Ou vocês acham que se um jovem e
inocente Paul Levesque se tivesse casado com a herdeira de uma das maiores empresas
do entretenimento desportivo – senão a maior – ele tinha chegado a CCO? Quem disser
que sim, muito provavelmente desconhecerá a forma como os negócios funcionam
nos bastidores…
Isto para dizer que, até na forma como foi, lentamente,
saindo de cena e preparando o futuro da New Japan, Tanahashi fez as coisas de
uma forma muito natural. Não se pôs num pedestal, não quis ser tratado de uma
forma diferente daqueles que, até àquele momento, foram seus colegas de
balneário. Ele próprio soube escolher a altura em que, assumindo uma posição
que é sempre ingrata como a de presidente de uma companhia, era altura de
deixar o futuro a quem dele sabe tratar melhor do que Tanahashi, atualmente,
seria capaz.
Daí que esta seja uma despedida que nos custa, naturalmente,
mas que não dói; que é triste, mas acima de tudo, serena. Porque, para que as
coisas funcionem minimamente bem, cada macaco tem de estar no seu galho. E Tanahashi
foi humilde o suficiente para reconhecer isso mesmo. Obrigado, Hiroshi
Tanahashi!!
Feita que está a adiafa a um dos grandes e mais inesquecíveis
wrestlers da nossa praça, vamos ao que me traz verdadeiramente cá hoje. Se
eu há uma semana já acreditava que a WWE andava a ler o que aqui escrevo e a
arrepender-se profundamente dos erros que cometeu em 2025, ao dia de hoje tenho,
cada vez mais, essa certeza.
Porquê?, perguntam vocês. A resposta é muito simples, e tem a ver, mais uma vez,
com as palavras que escrevi na última edição do ano que passou. Na referida
entrada, quando destaquei Giulia pela negativa, a WWE chegou ao primeiro
SmackDown do ano, deu-lhe outra vez o Women’s US Championship depois de lhe ter
sugado o hype todo que ela trazia durante o primeiro reinado, e neste
último SmackDown colocou-a a derrotar um dos melhores nomes da divisão feminina
da brand azul, num combate onde a anglo-nipo-italiana já foi colhendo
algumas reações, ainda muito tímidas, do público que a viu em Berlim. (Ah, e
também colocaram a Jordynne Grace na divisão feminina do SmackDown, o que
constitui um ponto duplo neste jogo louco do toma lá, dá cá).
Mas depois um gajo vai e pensa “não, isto tudo que aconteceu
foi mera coincidência, eles não vão tirar um coelho da cartola outra vez”. Até
que eu disse, nesse mesmo artigo, que Drew McIntyre ia ficar para tio relativamente
a títulos mundiais e… pimba – referido SmackDown em Berlim – Three Stages of
Hell pelo WWE Undisputed Championship, toda a gente pensava que o Cody ia
ganhar e que íamos andar nesta desinteressante roda até à WrestleMania e…
pimba, regresso do Jacob Fatu (que confesso não ter entendido o porquê de
acontecer ali, naquele momento específico) e o Drew McIntyre ganha o título.
Êxtase geral. Tão geral, tão geral, que até eu levei com spoiler ainda
antes de ver o show.
Sejamos frontais e objetivos: Drew
McIntyre era, em todo o wrestling, a pessoa
que mais merecia um reinado como Campeão Mundial – e olhem que eu não uso este tipo de
medida de comparação de forma muito frequente, por achar um tanto quanto exagerado.
Mas a verdade é que sempre senti que os reinados dele enquanto campeão tiveram
qualquer coisa que faltava, embora isso fosse mais fruto das circunstâncias do
que provavelmente fruto da própria incapacidade do Drew em fazer o título
render.
Por exemplo, no seu primeiro reinado como Campeão Mundial, em
plena pandemia, faltou o público. Toda a gente ficou igualmente feliz por ver Drew
McIntyre com o título: Havia o sentimento geral que a forma como o tinham feito
perder protagonismo na sua primeira passagem pela WWE fora uma tremenda
injustiça, ainda para mais tendo em conta aquilo que ele havia evoluído depois
disso.
O segundo, também em pandemia, durou pouco mais do que três meses
– não houve tempo para tirar dali o que quer que fosse. E, sinceramente, perder
para o The Miz? Que necessidade tinha o The Miz de tirar o título ao McIntyre
depois de tudo o que conquistou? Ainda por cima só foi campeão durante um mês.
Já todos conhecemos a história do terceiro reinado – o tal que
durou apenas cinco minutos e que foi bruscamente interrompido por um triunfante
Mr. Money In The Bank que era, na altura, o Damian Priest. E depois disso, foi
preciso esperarmos quase dois anos para vermos Drew McIntyre novamente no topo.
Mas penso que, ao longo de todo esse processo, se adensou ainda
mais o sentimento de que aquilo que estavam a fazer para com o escocês era uma
tremenda injustiça. Reconhecendo todo o mérito aos Judgment Day – tanto a versão
que existia quando Damian Priest foi campeão como a que existe hoje – se há
coisa que a stable tem sabido fazer bem é elevar talentos. Rhea Ripley,
Damian Priest, Liv Morgan, Raquel Rodriguez, Roxanne Perez… todos estes estão
onde estão hoje à conta dos Judgment Day. Mas Damian Priest era um upper midcarder
quando ganhou o título, e um upper midcarder ficou quando o perdeu.
Tanto que agora, se a Rhea Ripley não der aquela embalagenzinha, se não der
aquele gostinho tipo plot twist a uma das suas feuds, corremos o
risco de vê-la arrastar-se ininterruptamente – e a sua feud com o
Aleister Black está aí como prova.
Ou seja, o reinado de Damian Priest, tendo sido até bastante
sólido, não foi, ao mesmo tempo, algo que nos pusesse a olhar para ele como
campeão que era, e isso deve-se também ao facto de, na altura, a WWE ter dado
destaque a histórias que tinham um carácter mais paralelo dentro do próprio
grupo (como o “romance” entre a Rhea e o Dom). Por isso, mais eficaz teria sido
darem um reinado mais longo a Drew McIntyre e depois avançarem com o cash-in,
do que terem feito aquilo de uma forma que pareceu ser feita só para atualizarem
o heist of the century protagonizado por Seth Rollins em 2015.
Campeão de transição?
E aqui estamos, chegados ao quarto título mundial de Drew McIntyre
– o terceiro enquanto Undisputed WWE Champion. Este quarto título aparece-nos
numa altura de pré-Road To WrestleMania: O Royal Rumble é já no fim do mês
e, a partir daí, as coisas vão mudar muito rapidamente, como aliás é expectável
que aconteça.
Desse modo, especula-se que o reinado de Drew McIntyre com o
título seja um reinado de transição. Obviamente que eu não tenho nenhuma bola
de cristal para perceber se assim será ou não – teremos que ir vendo o rumo das
coisas para perceber o que é que a WWE pretende fazer.
Mas, da maneira que as coisas estão, dar a Drew McIntyre um
reinado de transição confirmaria duas coisas: Primeiro, que a WWE continua a
ter um grave problema na criação das suas próximas estrelas (problema esse que
se arrasta há décadas) e segundo, que não está interessada em fazê-lo. Porque,
se antes da criação da TKO a conceção de “estrela” para a WWE era a de “wrestler
que gerasse dinheiro com vendas de merch”, depois da criação da TKO esse
conceito agravou-se, e prova disso é que Jey Uso ganhou o Royal Rumble há um
ano mas a qualidade dos seus combates desde a WrestleMania foi sempre, sempre a
descer.
Posto isto, um reinado longo de Drew McIntyre é uma nova
oportunidade que a WWE tem para poder criar todo um séquito de novos nomes
fortes para os próximos 5-10 anos. Uma boa forma de o fazer era, por exemplo, esperar
que o reinado estivesse mais consolidado e aproveitar Oba Femi – que até foi
prejudicado pelo próprio McIntyre no combate contra Cody Rhodes no último Saturday
Night’s Main Event – para ver o que é que ele seria capaz de entregar contra o
campeão. Do meu ponto de vista, era uma boa maneira de compensar os fãs depois
do combate que teve contra Cody Rhodes ter terminado de uma forma tão abrupta precisamente
no momento em que começava a ganhar consistência.
E se Cody Rhodes ganhasse o Royal
Rumble?
Pus-me a pensar nisto depois que esse tal meu amigo me deu o spoiler
e avançou com essa possibilidade. Eu quero acreditar que a WWE não irá por
essa via – até porque o próprio Cody achou que o seu reinado estaria a ficar desinteressante,
e pôr Cody a vencer um terceiro Royal Rumble, ainda que histórico – Stone Cold
Steve Austin, até agora, foi o único wrestler a fazê-lo – seria estar na
disposição de correr esse risco, pelo que não me parece que isso aconteça.
No entanto, se tivesse que acontecer, eu diria que seria fundamental que a WWE desse a vitória a Drew num eventual combate na WrestleMania, não só pelo simbolismo e significado que tem para qualquer campeão vencer um dos seus maiores rivais no Maior Evento do Ano, mas porque seria a confirmação definitiva que Drew McIntyre ficaria no topo da montanha por mais algum tempo, da mesma forma que se corrigiria o erro que foi cometido para com ele na WrestleMania 40, algo que de certeza agradaria à maioria dos fãs.
E vocês, o que acham desta vitória de Drew McIntyre? Acham
que irá ter um reinado longo como campeão?
E assim termina mais uma edição de "Lucas Headquarters"!! Não se esqueçam de passar pelo nosso site, pelas nossas redes sociais, deixar sugestões aí em baixo... o habitual. Para a semana cá estarei com mais um artigo!!
Peace and love, até ao meu regresso!!





