Lucas Headquarters #221 – 2026: Renovar para continuar
Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Como estão?
Sejam bem-vindos à primeira edição do ano de “Lucas Headquarters”, aqui no
WrestlingNotícias!! Como foi essa passagem de ano? Muita diversão? Muita
festarola? Por cá aproveitou-se para fazer ponte e ter mais três dias de descanso.
À primeira vista pareceu uma ideia bastante tentadora, mas voltar ao trabalho
amanhã será uma tarefa hercúlea…
Ora bem, na semana passada, tivemos a sair apropriadamente no
último dia do ano a tal “retrospetiva” de que vos falava, um olhar sobre quem
se destacou, pela positiva e pela negativa, no ano que agora terminou. Não posso
deixar de reparar na feliz coincidência que foi eu ter colocado a Giulia a
destacar-se pela negativa – muito embora a culpa disso nunca tenha sido cem por
cento dela – e a WWE ter decidido atribuir-lhe mais um reinado como Women’s
United States Championship.
Isto deixa-me perante dois cenários: Ou a WWE vai fazer com que
a anglo-nipo-italiana não saia da cepa torta – passo a expressão – e ande neste
limbo compreendido entre um booking sem qualquer lógica e reinados para lá de
medíocres, ou então os seus responsáveis leram o artigo da semana passada,
arrependeram-se, perceberam os erros que tinham cometido e estão, agora,
dispostos a dar-lhe um reinado melhor do que o primeiro. E espero, sinceramente,
que o caminho a seguir seja a segunda hipótese: O SmackDown tem a divisão
feminina claramente mais fraca de todo o roster, e ter Giulia como
campeã de midcard e Jordynne Grace logo atrás poderia ser uma boa receita
para a fortalecer um pouco mais.
Mas enfim, o que está em 2025, em 2025 ficará, a não ser que
algum dos eventos ocorridos ao longo do ano que passou seja influente o
suficiente para alterar o curso de 2026. No entanto, com quatro dias decorridos
deste novo ano, ainda é, com certeza, muito cedo para averiguarmos se a influência
de algum dos cenários que marcou o ano passado transitará para o novo ano.
Foquemo-nos, pois, em 2026. E 2026 é um ano para o qual vale
sempre a pena olhar com expectativa, mais não seja porque será um desafio de
quem terminou o ano na mó de cima continuar na mó de cima, e será um desafio
para quem terminou no fundo do poço subir esse poço e sair de lá.
Claro que, nesse aspeto, o foco estará sempre na WWE, cujo ano de 2025 foi absolutamente desastroso – e já aqui tinha deixado essa ideia, não só no artigo da semana passada, como noutros também – não apenas pelo que fizeram em relação a Giulia, como também ao desperdício que foi o último ano de carreira de John Cena.
A juntar a isto tudo, a perda de qualidade geral dos shows
semanais, evidenciada pela preferência em criar momentos virais do que em desenvolver
storylines de uma forma lógica e credível; a crónica incapacidade de
criar novas estrelas – que parece ter tendência para agravar-se sob a liderança
de Triple H; e a tendência, também ela generalizada, de colocar o lucro e o
ganho monetário acima daquilo que é a satisfação de quem faz, verdadeiramente,
com que o produto exista tal e qual como hoje o conhecemos.
No que diz respeito à AEW, 2026 pode ser encarado com uma maior tranquilidade. A empresa de Tony Khan está claramente mais consistente no que diz respeito à qualidade da sua programação, e vem de um ano em que conseguiu, sem dúvida, consolidar a sua projeção, não só dentro como fora: A chegada em definitivo de Mina Shirakawa e a sua brilhante parceria com Timeless Toni Storm conseguiu trazer nova vida para uma divisão feminina que constituía, claramente, o ponto mais fraco da companhia, contribuindo de sobremaneira para o seu desenvolvimento e contribuindo, até, para a criação dos AEW Women’s World Tag Team Championships.
A história que envolveu Hangman Adam Page a
conquistar o título a Jon Moxley no All In foi, claramente, o ponto mais alto do
ano, num PPV que também ele foi, na minha opinião, o melhor de 2025: Não só
pela ação do combate em si, que envolveu, como seria de esperar, muita
brutalidade e muitas surpresas (como o regresso de Darby Allin), mas pela
construção da storyline que levou até ao combate, que acabou por investir
emocionalmente grande parte do público.
A última metade do ano ficou marcada por momentos históricos:
O primeiro Blood And Guts feminino, que, para mim, foi o melhor combate
do ano para a AEW, marcado pelas interações entre Marina Shafir, as Timeless
Love Bombs, as Sisters of Sin e as Babes of Wrath que acrescentaram muita
qualidade ao combate, sobretudo em momentos mais brutais como o spot em
que Marina Shafir parte um espelho na cabeça de Toni Storm ou então quando leva
a própria Toni a render-se pouco depois para salvar Mina Shirakawa. A juntar a
tudo isto, a confirmação de um excelente ano para Harley Cameron e Willow
Nightingale, com a primeira vitória de sempre dos AEW Women’s World Tag Team
Championships.
No que diz respeito à cena joshi, muita esperança para
a STARDOM, que se despede de 2025 com Saya Kamitani a dominar todo o mundo do wrestling,
tendo sido a primeira wrestler feminina da história a vencer os prémios
da Tokyo Sports. A empresa parece disposta a corrigir os erros cometidos no
passado – e muitos foram eles – enquanto está a construir cada vez mais o seu
futuro, apostando em wrestlers jovens, com pouca experiência mas muita
margem de progressão.
No caso da MARIGOLD, o essencial será manter a qualidade do
produto ao longo deste ano. Com Miku Aono a liderar o roster como
MARIGOLD World Champion e Mayu Iwatani a ser, constantemente, aquela que todos
desejam enfrentar, deverá ser à volta destes dois nomes que se deverá construir
muita da ação do novo ano. No lado das wrestlers mais jovens, deverão
ser Seri Yamaoka e Shinno Omukai a concentrar em si todas as atenções, em
grande parte devido à forma como se afirmaram no experiente lago dos tubarões da
empresa em tão pouco tempo.
2025 ficou marcado por dois finais de percurso que ditaram o
ritmo do que aconteceria ao longo do ano neste nosso pequeno mundinho: O fim de
carreira de Tam Nakano, em Abril, com um último combate no All Star Grand
Queendom contra Saya Kamitani – considerado por muitos como um dos combates do
ano; e o fim de carreira de John Cena, que marcou o ano que passou sobretudo na
WWE e que, naturalmente, dividiu muitas opiniões, sobretudo pela forma como foi
conduzido.
Pelo meio, na cena joshi, tivemos há uma semana o fim de carreira de Yuu, wrestler que atualmente fazia parte do roster da Sendai Girls – era parte da chamada Team 200kg com Chihiro Hashimoto – mas que já passou também pela DDT Pro Wrestling, Pro Wrestling Wave, TJPW e STARDOM, onde foi uma vez Goddess of STARDOM Tag Team Champion ao lado de Nanae Takahashi, que também se despediu dos ringues no ano que passou.
Neste novo
ano, teremos a despedida dos ringues de Risa Sera a ter lugar já na próxima
semana, ela que foi, durante muitos anos, líder da stable conhecida como
Prominence, conhecida pela proximidade ao estilo deathmatch e por ter
lançado para a ribalta Suzu Suzuki, que é hoje um dos grandes nomes da STARDOM
e líder da stable Mi Vida Loca.
No entanto, quando olhamos para o ano que agora começa, sobretudo
no panorama da WWE, percebemos que, em 2026, as coisas vão mudar – e algo
drasticamente. Com a despedida de John Cena dos ringues, 2025 já nos deu um
gostinho daquilo que seria termos de começar a habituarmo-nos à ideia de que os
nomes que nos marcaram ao longo de tantos anos já não entrarão pelos nossos ecrãs
adentro. Mas se 2025 já merecia um lugar nos anais da História apenas e só
porque um dos maiores nomes da indústria decidiu que já chegava, então, meus
caros comensais do wrestling, é bom que nos preparemos: 2026 será um
ano fortemente marcado por fins de ciclo e por despedidas de wrestlers que
marcaram as últimas décadas da cena mainstream do círculo quadrado. A
bem dizer, 2026 será o ano do adeus.
Calma, calma, não quero com isto dizer que em 2027 já não haverá
Lucas Headquarters: Este nosso estaminé está vivo e recomenda-se! Mas é
impossível não olhar para 2026 e não conseguir imaginar como será uma WWE sem AJ
Styles, Brock Lesnar e, potencialmente, Chris Jericho –
embora ainda não haja quaisquer certezas nem confirmações relativamente ao seu
futuro.
Começando por AJ Styles, o Phenomenal One é, destes três, o nome cuja despedida talvez custe mais aceitar. Não porque, atendendo à idade, o fim de carreira não seja algo a acontecer mais tarde ou mais cedo (Styles fará 49 anos em Junho), mas porque, mesmo com 48 anos e com muito mais carreira atrás de si do que à sua frente, AJ Styles tem mantido uma consistência extraordinária dentro do ringue – de que é exemplo o extraordinário combate com Cody Rhodes no Backlash de Maio do ano passado.
Para além disso, na década em que esteve na WWE, AJ Styles
fez trabalho suficiente para um dia merecer um lugar no WWE Hall of Fame:
Foi WWE Champion, aguentou o midcard quando foi preciso com vários reinados
como United States Champion e teve feuds memoráveis com John Cena, Kevin
Owens ou até com o próprio Jericho. Quando se faz numa década aquilo que muitos
demoram vinte anos a fazer, o fim de ciclo é sempre difícil de aceitar, mas
justo de acontecer.
Quanto a Brock Lesnar, eu penso que o fim de carreira é
apenas uma mera formalidade – a sua carreira terminou a partir do momento em
que a WWE, vendo o seu envolvimento nos escândalos de abuso sexual que
envolvem, também, Vince McMahon, começou a prescindir dos seus serviços. Dito
isto, eu penso que o possível final de carreira no Summerslam em Minneapolis
será, tão somente, uma formalidade.
No caso de Chris Jericho, eu penso que o final de carreira está bastante perto, e não acontecendo este ano, poderá acontecer no próximo. A única razão pela qual Jericho poderá não decidir pendurar as botas este ano terá a ver com os seus compromissos com os Fozzy – que lhe vão tomar todo o mês de Fevereiro, por exemplo – mas, se o tempo e a forma como se apresentou na AEW é alguma indicação, não é novidade nenhuma que o Y2J está, claramente, a pedir pelo final dos seus dias como wrestler, já que, fisicamente, se apresenta no ringue com muito mais lentidão e que até mesmo a própria capacidade de reinvenção que sempre marcou a sua carreira já não produz tantos frutos.
Uma coisa é certa: Por muito mal que Jericho esteja a nível físico,
haverá sempre um grande grau de interesse em acompanhar os seus últimos tempos
de wrestler se estes tiverem lugar na WWE, porque o bom filho regressa
sempre a casa.
Tendo em conta estes três casos, facilmente poderemos concluir
que a natureza de 2026 será a de – perdoem a expressão um pouco associada a
coisas menos boas – renovação na continuidade. O ano que agora inicia
seguirá a tendência de encerramento de ciclos que 2025 nos trouxe, mas, ao
mesmo tempo, verá a ascensão de muitos nomes que já há muito vêm pedindo uma
oportunidade para brilhar sob as luzes da ribalta. No fundo, 2026 confirma aquilo
que, ao fazer esta análise semanal, eu faço sempre questão de ter presente: O wrestling
é, também ele, um mundo em constante renovação.
E vocês, o que acham que marcará o ano de 2026?
E assim termina mais uma edição de "Lucas Headquarters"!! Não se esqueçam de passar pelo nosso site, pelas nossas redes sociais, deixar sugestões aí em baixo... o habitual. Para a semana cá estarei com mais um artigo!!
Peace and love, até ao meu regresso!!




