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Lucas Headquarters #130 - Giulia: A verdadeira “Donna del Mondo”


Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Como estão? Sejam bem-vindos a mais um “Lucas Headquarters” aqui no WrestlingNotícias!! Então, o que vos pareceu o Elimination Chamber? Foi agradável à vossa vista, ou um evento estupidamente previsível?


Antever este PLE estava, evidentemente, nos meus planos, mas, como não há bela sem senão, o facto de ser em direto (e logo de manhã, segundo o horário português) trocou-me as voltas: Com o artigo a sair ao Sábado e a ter que ser planeado, 90% das vezes, antes do dia da publicação (para evitar eventuais imprevistos), uma antevisão torna-se praticamente impossível, assim como o rescaldo, porque a pressa é inimiga da perfeição e planear artigos em cima da hora (a não ser que o tema só surja numa altura dessas) é muito arriscado.


Mas nada temam, meus caros comensais do wrestling. Nada temam que não ficam sem a vossa dose semanal de divagação – às vezes séria, às vezes não. Quanto muito, para esta semana, vamos capitalizar numa efeméride. Num número redondo. Numa “data querida”, para citar aquela canção que todo o mundo sabe tocar num piano qualquer,


Hoje vou falar-vos de uma wrestler cujo artigo dedicado a ela tenho andado a adiar há meses. Quem acompanha wrestling japonês – joshi ou não – já sabe quem ela é; e quem não a conhecia, ficou a conhecê-la, mais não seja porque a WWE já tem praticamente garantida a sua contratação.



É uma wrestler cujo percurso dentro da modalidade tem sido de crescimento, de imensa popularidade (é aquela wrestler que consegue gerar reações de quase toda a gente), mas também de alguma polémica – e já iremos falar mais sobre isso – sobretudo pela forma como fez mudanças no seu percurso de há uns anos para cá. E embora a polémica já se tenha dissipado um pouco, como aquele nevoeiro que lentamente desaparece após um ligeiro raio de sol, a verdade é que muita gente ainda lhe aponta o dedo e ainda guarda algum ressentimento por essas decisões mais… precipitadas, vá.


Mas é, sobretudo, uma wrestler que já correu (literalmente) o mundo. E quando se diz que ela correu o mundo, diz-se isto de uma forma curiosa porque, regra geral, para se “correr o mundo” é preciso viajar. Ir do ponto A ao ponto B, ou, numa viagem mais “low-cost”, beber um bocadinho da cultura de um outro país ou continente através de alguém, que nos dá a provar um produto, ou que nos conta um pouco da história de um determinado acontecimento. Por essa razão, eu acredito que muitos de nós já tenhamos, de uma forma ou de outra, “corrido o mundo”.


Para esta wrestler correr o mundo bastou-lhe acontecer algo tão simples e tão singelo como nascer. Bastou-lhe ter a sorte de ter uma família… multicultural, o que, apesar de ser mais comum hoje em dia – a globalização a isso ajuda – ainda não é privilégio que assiste a tanta gente assim.




Mas mais do que a minha preferência pessoal, mais do que acreditar (quase desde que comecei a acompanhar o fenómeno joshi) que esta wrestler pode chegar a voos muito altos, quero falar-vos um pouco sobre ela porque tenho impressão que, até ao fim do ano, ainda vamos falar no seu nome mais duas a três vezes, pelo menos. Portanto, considerem a edição desta semana como uma espécie de “introdução” mas também uma ajuda que vos dou, porque se muitos de vocês só ouvirem o seu nome pela primeira vez quando ela assinar pela WWE, pelo menos ao ler esta entrada já estarão mais ou menos familiarizados com ela.


Hoje vamos, pois, falar daquela que é a verdadeira “Donna del Mondo” – e já vão perceber porquê. Está a caminho da WWE, tem um respeitável currículo e uma aura destinada aos grandes ringues: Eis Giulia!


Quem é Giulia?




Giulia, cujo nome verdadeiro é Eimi Gloria Matsudo, nasceu em Londres, Inglaterra, a 21 de Fevereiro de 1994 – completou 30 anos na passada terça-feira.


Com uma carreira que já conta com pouco mais de seis anos (estreou-se a 29 de Outubro de 2017), Giulia é uma das muitas wrestlers influenciadas (e treinadas) por Mio Shirai, embora Hideki Suzuki – que já foi treinador no WWE Performance Center – também tenha sido um grande responsável pela sua formação enquanto wrestler.


Senhora sim, do Mundo porquê? “Donna del Mondo” – expressão italiana que significa “Senhora do Mundo” em tradução livre, não é apenas um nome pomposo que serviu para descrever a stable que liderou até há bem pouco tempo. A referida expressão adequa-se bem melhor a Giulia do que, à partida, se possa pensar: Giulia é filha de pai italiano e mãe japonesa, tendo nascido na Inglaterra. Daí que tenha, como há pouco referia, corrido o mundo apenas pelo singelo ato de nascer. Giulia tem, pois, dupla nacionalidade, embora por direito de solo se possa atribuir também a ela a cidadania inglesa.



Vários (re)encontros? Giulia foi treinada por Mio Shirai, wrestler que fez carreira durante oito anos (2007-2015) antes de se retirar devido a lesões no pescoço se tornar árbitra de combates da modalidade. Ora, Mio é a irmã mais velha da atual WWE Women’s Champion Iyo Sky, o que significa que, uma vez chegada à WWE, um encontro com a Genius of the Sky é um dado mais que adquirido. Mas não será o único a acontecer.


Se assinar pela WWE, Giulia também voltará a partilhar balneário com Kairi Sane, de quem foi uma das últimas adversárias na passagem de cerca de ano e meio que Kairi teve pela STARDOM. De facto, Giulia derrotou Kairi Sane no PPV Flashing Champions de 27 de Maio do ano passado, quando, em conjunto com Thekla e Mai Sakurai, derrotou o trio composto pela própria Sane, Natsupoi e Saori Anou, que defendiam os Artist of STARDOM Championships. Sane, Natsupoi e Saori Anou foram campeãs apenas durante 34 dias.




O começo humilde na Ice Ribbon



Antes de chegar à STARDOM, onde construiu grande parte do seu currículo atual, Giulia começou a lutar na Ice Ribbon, empresa por onde já passaram nomes como Hikaru Shida, Arisa Nakajima, Sakura Hirota ou Sareee. O começo de Giulia na Ice Ribbon foi bastante humilde, no sentido em que antes de chegar ao mundo do wrestling – e à própria Ice Ribbon em particular – Giulia trabalhou como gerente num restaurante italiano, o que lhe permitiu ganhar dinheiro suficiente para começar a treinar com o intuito de se tornar wrestler.


O primeiro combate de Giulia, a 29 de Outubro de 2017, colocou-a no mesmo ringue de uma lenda do joshi, já que fez equipa com Takako Inoue (não confundir com Kyoko Inoue) contra Nao Date e Satsuki Totoro, num combate onde acabou derrotada. A primeira vitória chegaria quase um ano depois, quando derrotou Asahi num combate que teve lugar a 24 de Setembro de 2018.


A sua passagem pela Ice Ribbon durou praticamente dois anos, e foi relativamente pobre em termos de títulos conquistados: Giulia foi apenas International Ribbon Tag Team Champion (título que conquistou uma única vez, ao lado de Tequila Saya) e foi também considerada Rookie do Ano 2018, prémio que venceu empatada com a mesma lutadora. A sua passagem pela Ice Ribbon fica marcada pelo melhor e pelo pior: Ao mesmo tempo que a sua saída da empresa foi polemicamente abrupta, Giulia desenvolveu uma relação de irmandade com Suzu Suzuki, jovem wrestler que na altura tinha apenas 16 anos e com quem partilhou balneário na Ice Ribbon durante 10 meses.


A saída polémica




Quando já se começava a afirmar como um dos grandes nomes da Ice Ribbon, Giulia decide sair da empresa de uma forma tanto abrupta quanto polémica.


Em termos simples, Giulia saiu da Ice Ribbon sem dar a conhecer informações potencialmente relevantes para a decisão quer ao staff da empresa, quer às restantes wrestlers, o que tornou impossível a tradicional despedida que normalmente é preparada para as wrestlers num determinado evento. O que fica desta decisão abrupta de sair da Ice Ribbon para rumar à STARDOM é a impressão, partilhada por todos os responsáveis da altura, de que Giulia saiu a mal, o que fez aumentar o impacto em torno da decisão feita.


A chegada à STARDOM e a consagração 

mundial



Giulia chega então à STARDOM a 14 de Outubro de 2019, apenas se tendo estreado em ringue pouco mais de um mês e meio depois. O seu primeiro combate na empresa data de 8 de Dezembro desse ano, quando Giulia derrotou Hazuki.


Meses mais tarde, Giulia funda a stable que foi, em grande parte, veículo do seu sucesso: Juntamente com Maika e Syuri (e mais tarde Himeka, Natsupoi, Mai Sakurai, Thekla e MIRAI, estas últimas integradas ao longo dos anos), a anglo-nipo-italiana constituiu as Donna del Mondo.


A partir daí os primeiros sucessos começaram a chegar: Em Março, venceu a edição 2020 do Cinderella Tournament e em Julho, derrotou Tam Nakano na final de um torneio a quatro para vencer o Wonder of STARDOM Championship. 




A feud entre Giulia e Nakano não se ficaria por ali, culminando em combates como o famoso hair vs hair match no All Star Dream Cinderella (onde saiu derrotada e teve que cortar o cabelo, conforme estipulado) ou o combate pelo World of STARDOM Championship no All Star Grand Dream Queendom do ano passado, onde voltou a ser derrotada e perdeu o título depois de 115 dias de reinado.




2022 foi, definitivamente, o ano da sua consagração mundial. Depois de perder Syuri e MIRAI para a recém-formada stable God’s Eye (e de ser traída por Natsupoi no Nagoya Midsummer Champions em Julho desse ano), Giulia entrou no 5 STAR GP como a principal favorita, mas começou por baixo durante o primeiro mês, vendo uma improvável Hazuki liderar as Blue Stars durante todo o mês de Agosto. No entanto, uma épica remontada durante o mês de Setembro (onde ficam para a história dois empates contra Mayu Iwatani (Noite 13) e Suzu Suzuki (noite da final) catapultou-a para a final, que venceu após derrotar… Isso mesmo, Tam Nakano. 



Em Dezembro, no Dream Queendom, Giulia derrotou a então campeã Syuri e conseguiu finalmente conquistar o World of STARDOM Champion, que teve consigo durante 115 dias.




Giulia perdeu a batalha nesse combate contra Tam Nakano no All Star Grand Dream Queendom, mas engane-se quem pensar que havia de perder a guerra: Em Julho, no Independence Day, Giulia venceu Willow Nightingale num combate pelo NJPW Strong Women’s Championship, título que já defendeu contra adversárias como Deonna Purrazzo, Gisele Shaw e Momo Kohgo, mas ainda AZM, Trish Adora ou mais recentemente, Natsuko Tora.





A relação com Suzu Suzuki: Irmãs de outra mãe



À exceção de quase quatro anos de DDM, Giulia não é conhecida por ser uma wrestler que facilmente constrói alianças com os outros. No entanto, há uma que resiste ao teste do tempo: A relação quase de irmandade que partilha com Suzu Suzuki.


À partida, esta relação seria, no mínimo, muito improvável, já que a diferença temporal que as separa é de oito anos, quase nove (Giulia nasceu em Fevereiro de 1994, Suzu em Setembro de 2002). No entanto, o tempo que ambas partilharam na Ice Ribbon fortaleceu-lhes os laços e criou entre elas uma rivalidade saudável, sendo parte fundamental de uma relação que, até ao fim das DDM, era manifestada nos combates que ambas tinham uma contra a outra. Suzu foi, de resto, a primeira desafiante ao World of STARDOM Championship durante o curto reinado de Giulia, meses depois de a ter enfrentado por um lugar na final do 5 STAR GP.






O fim das DDM trouxe o lado da relação que todos queriam ver, já que, a partir daí, Giulia e Suzu começaram frequentemente a formar equipas em combates Tag Team. Já o haviam feito em Setembro no Dream Tag Festival – que também nos brindou com uma dupla tão improvável como AZM e Starlight Kid – mas os recentes combates que ambas têm feito fazem aumentar a esperança que Giulia acabe por ficar no Japão, cenário que, a esta altura, parece cada vez mais distante.



Em suma, e olhando para o filme da sua carreira, Giulia parece mais do que pronta para rumar a outros voos (e provavelmente fá-lo-á), mas a situação em que se encontra agora é, diria, bastante confortável: É atualmente campeã (já levando um número considerável de defesas), está num dos melhores períodos da carreira ao trabalhar com alguém que conhece como a palma das suas mãos e a mudança para os Estados Unidos, embora certa, parece ser algo que Giulia não tem pressa que aconteça.


O principal – e justificado – medo que existe nesta altura é que a WWE desperdice tudo aquilo que Giulia demorou anos a construir. No entanto, a força que Triple H tem feito (e o tempo que tem investido) em contratar Giulia são as sementes de uma esperança em que isso não aconteça.

 

E assim termina mais uma edição de “Lucas Headquarters”! Não se esqueçam de passar pelo nosso site, pelo nosso Instagram, pelo nosso Telegram, deixar a vossa opinião aí em baixo… o costume. Para a semana cá estarei com mais um artigo!!


Peace and love, até ao meu regresso!


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