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Lucas Headquarters #132 – Justiça lhe seja feita


Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Como estão? Sejam bem-vindos a mais uma edição de “Lucas Headquarters” aqui no WrestlingNotícias!! Que tal estamos, neste dia de reflexão? Têm refletido muito? O que importa, para além de refletir, é exercerem o vosso direito e dever cívico enquanto cidadãos. Lembrem-se de não deixar que outros decidam por vocês!!


Já que falamos em eleições (como não falar, não é mesmo?) hoje vou também refletir convosco sobre uma espécie de “eleitos”, mas aplicados ao wrestling. E isso permite-me constatar um dado interessante: Parece que os anúncios para as diferentes classes do WWE Hall of Fame são feitos muito mais tarde. Pelo menos desde o tempo em que o Undertaker foi “cabeça de cartaz” – à falta de um melhor termo – da classe de 2022, que sinto que os anúncios daqueles que entram no simbólico “panteão dos imortais” da empresa são feitos muito… em cima da hora, vá.


Em contrapartida – e isto é que tem de ser verdadeiramente assinalado – acho que o WWE Hall of Fame melhorou na qualidade dos introduzidos. E quando falo em qualidade não quer dizer que uns mereçam estar lá mais do que outros: Embora nós, muitas vezes, pensemos assim (influenciados também pelo nosso ponto de vista e preferências pessoais), a decisão final cabe sempre à WWE. 


Mas acho que se vai notando que o propósito do WWE Hall of Fame tem mudado, ainda que muito lentamente, com o tempo, e com a ascensão definitiva de Triple H ao comando criativo da empresa, essa mudança ficou mais notória.


Se, inicialmente, o WWE Hall of Fame foi criado com o intuito de homenagear, ainda que simbolicamente, apenas aqueles que tinham um grande impacto na História e desenvolvimento da empresa (a nível das conquistas individuais, momentos e feuds que ficam na História, entre outras coisas), a verdade é que a WWE se foi timidamente apercebendo que o trabalho de outras pessoas noutras empresas influenciou a própria companhia. Não raras vezes, o que prevalecia era a teimosia de Vince McMahon em não reconhecer isso.



Outra mudança interessante que tenho verificado nas classes mais recentes do WWE Hall of Fame tem a ver com a quantidade de inductees que são homenageados. 


Tomemos como exemplo a classe de 2016, encabeçada por Sting: Tivemos, para além do Icon, The Godfather, Big Boss Man, Jacqueline e Stan Hansen, individualmente falando; The Fabulous Freebirds foram o grupo introduzido; no que respeita a celebridade, Snoop Dogg e Joan Lunden como vencedora do Warrior Award; e para além destes, mais sete da ala Legacy, onde o mais conhecido desses homenageados é capaz de ser o Lou Thesz. Se contarmos, individualmente, todos os homenageados, ficamos com dezoito. A intenção é nobre, mas o número… talvez seja um pouco exagerado.



Para efeitos de comparação, vamos olhar para as classes dos últimos dois anos. Em 2022 tivemos Undertaker como “cabeça de classe”, Vader, Sharmell, Rick e Scott Steiner e ainda o falecido Shad Gaspard como vencedor do Warrior Award; no ano passado, foram homenageados Rey Mysterio – um dos poucos a merecer essa honra ainda no ativo, Keiji Muto, Stacy Keibler, Andy Kaufman e Tim White como vencedor do Warrior Award. Contando individualmente ambos os homenageados, ficamos com onze.




Estes onze são os mesmos que estariam na classe de 2016 se aquela Legacy Wing – cuja existência ainda hoje não percebo – não existisse. Se os dividirmos pelas duas classes, temos seis na de 2022 e cinco na do ano passado. A tal Legacy Wing parece ter sido pacificamente extinta, pelo menos desde a classe de 2021 – encabeçada por Kane – que não vemos ninguém ser introduzido. Será que a WWE começou a perceber que, para ter uma boa classe do WWE Hall of Fame, não é preciso introduzir magotes de gente, dos quais sete ou oito nem os die-hards ouviram falar? Vamos ver se este ano a tendência se mantém.


Falando do WWE Hall of Fame deste ano, vocês lembram-se quando, há exatamente um ano (e no rescaldo dos anúncios de Rey Mysterio e Keiji Muto para a classe do ano passado) eu dediquei uma edição deste nosso artigo a cinco nomes importantes para a indústria que, possuindo currículo digno de uma entrada neste panteão, são ignorados pela empresa e só chegam ao Hall of Fame porque nós nos lembramos do seu contributo. Quem não se lembra, pode lê-la aqui.


O nome de Paul Heyman não estava incluído nesse top-5 – precisamente porque estava na cara de todos que, mais ano menos ano, o Wiseman da Bloodline merecia essa honra. Mas de entre esses cinco há um nome que eu incluí nessa lista, e que curiosamente este ano vai, finalmente, ter o seu momento de reconhecimento: Bull Nakano




Bull Nakano é, simplesmente, uma das primeiras grandes figuras – senão a primeiríssima grande figura – do wrestling feminino. Juntamente com nomes como Manami Toyota, Kyoko Inoue, Akira Hokuto… Nakano foi uma das grandes figuras da explosão do wrestling feminino no Japão na década de 90 do século passado. Aliás… o impacto de Bull Nakano foi tão grande que nem a WWF lhe ficou indiferente.


Recuemos até 20 de Novembro de 1994. Estávamos numa altura em que o wrestling era completamente dominado por homens – dali até ao surgimento da Chyna e respetiva afirmação, ainda teríamos que esperar mais ou menos dois anos e meio, três anos no máximo.


O que acontece nesse dia fica, por isso, gravado na História, não só da WWE, do wrestling em geral, como também das carreiras de Nakano e de Alundra Blayze (aka Madusa), adversária com quem Bull Nakano partilhou o ringue. O evento era o Big Egg Wrestling Universe, organizado pela AJPW, e o que estava em jogo era o então designado WWF Women’s Championship. Bull Nakano saiu com o ouro e com ele reinou durante cinco meses – um reinado simpático para o que era comum na altura. Antes disso, já elas tinham tido um combate, nas mesmas circunstâncias, no Summerslam de 1994, que Alundra Blayze venceu.




O que surpreende – ou talvez não – são as reações à entrada de Bull Nakano neste lote simbólico de homenageados ao qual há muito tempo deveria pertencer. Compreendo que nem toda a gente saiba verdadeiramente todos os altos, baixos, curvas e contracurvas daquela que nasceu com o nome de Keiko Aoki, mas confesso que também me desilude que malta que se diz “fã de wrestling” não saiba pelo menos em que medida Bull Nakano influenciou esta nossa modalidade. Faz-me espécie, até, que muita gente olhe para ela como uma jobber, quando ela fez apenas dois combates pela empresa.


Mas nada temam, caros comensais do wrestling, porque aqui este vosso amigo está aqui, mais do que para debater com vocês, para vos ajudar. Não vamos aqui entrar em detalhe sobre a carreira de Bull Nakano, muito havia para dizer, para destacar. Vamos apenas concentrar-nos numa pergunta, que apesar de soar um pouco a cliché, também serve para explicar muita coisa.




O que faz de Bull Nakano uma WWE Hall of 
Famer?





Bull Nakano vai ser introduzida no WWE Hall of Fame. Bull Nakano foi uma das pioneiras do wrestling feminino, trazendo-o para a América antes da malta sequer saber que o wrestling feito por mulheres era tão exequível e era capaz de fazer tanto sucesso como o wrestling feito por homens.


Se formos falar em currículo, meus amigos, o palmarés nunca mais acaba: Por entre AJPW, WWF e CMLL, Bull Nakano foi AJW Champion, AJW Junior Champion, All Pacific Champion, WWWA World Single Champion, WWWA World Tag Team Champion, 1983 Rookie Of The Year, venceu o Japan Grand Prix de 1988… a lista é imensa. Portanto, só por currículo, uma entrada em qualquer Hall of Fame seria justificadíssima.


A questão é que, tudo isto são clichés. Tudo isto são critérios que, numa carreira de oito a dez anos, qualquer wrestler em quem se deposite o mais pequeno “grão” de confiança é capaz de cumprir – no final da década de oitenta, Bull Nakano já tinha cumprido muitos deles.


Portanto, o que faz de Bull Nakano uma Hall of Famer credível vai muito mais além de uma questão que, como vimos, é facilmente atingível – pelo menos, aos nossos olhos.


Eu creio que o fundamento da entrada de Bull Nakano neste verdadeiro panteão dos imortais tem muito a ver com a influência que exerceu, sobretudo na geração atual, e no impacto que alguns dos seus combates – não tanto o que teve contra Alundra Blayze, porque esse é mais ou menos conhecido – tiveram para que muitas das wrestlers que vemos hoje no nosso ecrã. O combate contra Aja Kong (que teve lugar a 14 de Novembro de 1990) ficou na História por ter um nível de ação e brutalidade de tal maneira grande que muitos ainda hoje o consideram o melhor combate de sempre.




Mas, par que se perceba a dimensão da sua influência neste ramo, nada como irmos ao mais simples: Uma das moves que Becky Lynch usa no seu move-set, o seu conhecido top rope dropkick, foi também utilizado por Bull Nakano. O Scorpion Cross Lock atualmente usado por Saraya era a mesma subjugação que Nakano usava, dando-lhe o nome de Angelito. Beth Phoenix e Masha Slamovich já usaram uma face paint inspirada naquela que Nakano sempre usou.







Sabemos que a influência que um wrestler exerce é de tal ordem grande quando se vê nas coisas mais simples. E nesse aspeto, a influência de Bull Nakano é notória, arrisco-me a dizer que é mesmo intemporal. E mais nenhuma wrestler com o contexto de Bull Nakano conseguiu atingir a intemporalidade, o que aumenta o impacto da sua entrada neste lote de imortais da modalidade.


Um último combate?



Quando um wrestler que se encontra numa forma física relativamente boa se torna Hall of Famer, muita gente especula sobre a hipótese de poder ver o recém-introduzido num último combate. Bull Nakano não foge à regra e também já falou nisso mas… será que vai acontecer?


Na minha opinião, não me parece exequível que Bull Nakano entre em ringue uma última vez. E isso acontece por várias razões.


Nakano retirou-se em 1997. Passam, por esta altura, vinte e sete anos desde o fim da sua carreira. Se Bull Nakano realmente quisesse ter um último combate, tê-lo-ia feito muito mais cedo e não se teria dedicado a outros desportos, como por exemplo, o golfe. Mesmo que tenha regressado ao wrestling de forma mais ativa, Bull Nakano parece contentar-se com um papel que envolve uma maior capacidade de gestão, sendo atualmente comissioner da Sukeban, a empresa norte-americana de joshi que começou as atividades há mais ou menos seis meses.



Para além disso, Bull Nakano é criadora de conteúdo (tendo um canal de YouTube) e já deu entrevistas no passado a nomes como Giulia, Asuka e Kairi Sane. À partida, isto pode nem querer dizer nada, mas dá a ideia que Nakano está contente com um papel dentro do wrestling que não implica grandes envolvimentos físicos. Creio que a conversa do último combate tenha surgido mais “por bem parecer”, no auge da felicidade de Nakano entrar no Hall of Fame.





O que fica – isso sim, é importante – é que finalmente a WWE reconheceu os méritos de alguém a quem o wrestling muito deve. Que o tenha feito um pouco tarde é apenas um pormenor, mas que o tenha feito quando Vince McMahon já lá não está é um inteligível “pormaior”. Justiça lhe seja feita, que ela tarda, mas nunca falha.

 

Acham que Bull Nakano merece entrar no WWE Hall of Fame? Porquê?


E assim termina mais uma edição de “Lucas Headquarters”! Não se esqueçam de passar pelo nosso site, pelo nosso Instagram, pelo nosso Telegram, deixar a vossa opinião aí em baixo… o costume. Para a semana cá estarei com mais um artigo!!


Peace and love, até ao meu regresso!

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