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Lucas Headquarters #48 – Uma questão (demasiado) pessoal


 

Ora então boas tardes, comadres e compadres! Bem-vindos sejam a mais uma edição do “Lucas Headquarters” aqui no WrestlingNotícias! Aqui no Alentejo costuma dizer-se que “não está chuva nem orvalho, mas está um frio do… caneco!”. Bom, espero que estejam quentinhos no vosso sofá, porque o tema que vos trago hoje… Até faz faísca!


Hoje trago-vos um tema que vai fazer correr muita tinta… e se calhar muito sangue. O interessante de se trazer este tema para cima da mesa é que é um tópico de cunho extremamente pessoal. Sabem quando um treinador novo chega a uma equipa qualquer e tenta a todo o custo apagar as ideias do outro treinador que lá estava antes dele?


Aqui é mais ou menos a mesma coisa, mas o impacto, se calhar, é mais profundo, porque aqui há relações íntimas com o futuro da WWE, e não só com o presente.


Aqui é mais ou menos a mesma coisa, mas o impacto, se calhar, é mais profundo, porque aqui há relações íntimas com o futuro da WWE, e não só com o presente.


Obviamente que já perceberam qual é o tema desta semana, não é? Eu tenho tentado, quase propositadamente, evitar pronunciar-me sobre isto (até porque estamos a chegar a um ponto em que já chega de bater no ceguinho) mas as mudanças têm sido de tal maneira radicais que já se tornou impossível para mim ficar calado.


Hoje, o nosso foco vai ser a triste “revolução” no NXT. Ou melhor, no pseudo-NXT, porque da ideia original da brand amarela já resta pouco. Ou se calhar não resta nada.



Para que vocês possam perceber melhor a extensão desta mudança, vou ser, em primeiro lugar, um bocadinho mais abrangente e confessar-vos que há meses que não vejo o produto da WWE, nem de forma assídua e nem com o entusiasmo e expectativa de outrora. E isso prende-se com uma série de razões, mas sobretudo com a forma quase déspota como Vince McMahon tem tendência para atuar em certos contextos.


E porque é que apelido Vince McMahon de “déspota” neste caso? Porque a forma como ele tem limpado todos os vestígios da influência do próprio genro deste “novo NXT” é a que melhor carateriza os déspotas, mostrando um total desprezo pela forma como o NXT, em tempos, foi a parte mais interessante de toda a programação da WWE. Com esta limpeza, arrisca-se a igualar o RAW como o exemplo do mais enfadonho conteúdo que a empresa produz neste momento.


Triple H tinha um plano, uma ambição que, à luz do mundo do wrestling atual, por vezes pareceu inalcançável: O de criar um NXT autêntico, humano, à luz do produto que os fãs desejavam ver no Main Roster e que não estavam a ter. E assim se cercou de figuras queridas e unânimes entre os fãs, como sejam: Dusty Rhodes (Deus o tenha em descanso eterno), Road Dogg, mas, mais importante ainda, William Regal, que foi, até aqui, o GM da brand e que ganhou (ainda mais) o respeito dos fãs.




A importância de Regal no NXT era tal que ele era apelidado por todos (e com justiça) como sendo o “braço direito” do The Game. Com a sua ação conjunta, o NXT passou de território de desenvolvimento a terceira brand. Portanto não é surpresa que a saída de Regal tenha sido a mais sentida. Afinal, o que seria de Finn Bálor, Kevin Owens, Sasha Banks, Charlotte Flair, Becky Lynch, Johnny Gargano, Tommaso Ciampa… sem a visão de Triple H complementada pela experiência de William Regal?


Outro dos “conselheiros” de Triple H no NXT era Road Dogg. Sem grandes surpresas: Triple H e Road Dogg conhecem-se um ao outro como a palma das suas mãos, percorreram quilómetros e quilómetros de estrada como parte dos DX e desde aí que desenvolveram uma relação íntima. Agora, para tristeza de Hunter, o provável é que Road Dogg acabe na AEW, porque Billy Gunn está lá praticamente desde o início…


Mas há outro pormenor que, se calhar, passou ao lado de muitos, mas que faz todo o sentido: Em Setembro, Triple H teve o episódio cardíaco que deixou apreensivo toda a WWE. Precisamente em Setembro, o NXT como o conhecemos deixou de existir e passou a ser o NXT 2.0..


É no mínimo estranho, para não dizer bastante suspeito, que o reboot do NXT tenha ocorrido num momento de maior fraqueza de Triple H. Quase como se Vince McMahon estivesse à espera de um momento em que Triple H não pudesse fazer nada para apagar tudo aquilo que este construiu. 






Muitos dirão que esta “estranheza” soa a teoria da conspiração, e provavelmente terão razão. Mas, conspiração ou não, a forma como Vince McMahon está a conduzir esta revolução não deixa de ser a forma de um déspota. De alguém que não admite que as visões daqueles que consigo trabalham tenham mais sucesso do que a sua própria visão para uma WWE que – não tenhamos ilusões – está moribunda graças a tudo isto.


Eu até gostava de pensar que Triple H seria capaz de fazer um regresso triunfal e colocar tudo como estava, mas lavar a cabeça de burros com sabão e tarefa demasiado exigente para um coração que, apesar de resiliente, goza de uma precária fragilidade. 


Não será, de todo, descabido supor que Triple H será o próximo a ir embora da WWE. Mas quando pensamos que o próprio sogro tem poderes para fazer precisamente isso, toda esta questão ganha uns quantos requintes de malvadez.


E vocês, o que têm a dizer sobre esta “limpeza” no NXT 2.0 e sobre a forma como Vince McMahon está a conduzir todo este processo?


E assim termina mais uma edição dos "Lucas Headquarters"! Não se esqueçam de passar pela página e pelo site do WN, deixar a vossa opinião na caixinha aí em baixo, tudo isso e muito mais. Para a semana cá estarei com mais um artigo.


Peace and love e até ao meu regresso!




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