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Literatura Wrestling | Yes! My Improbable Journey to the Main Event of Wrestlemania - Capítulo 17 - Parte 1


Está de volta a Literatura Wrestling, o espaço de traduções do blog que vos traz uma obra biográfica, na íntegra, reveladora das origens, vida e decorrer da carreira de alguns dos mais marcantes wrestlers que percorreram os ringues que acompanhámos com tanto gosto.

Todas as semanas vos traremos um excerto do livro "Yes!: My Improbable Journey to the Main Event of Wrestlemania", publicado em 2015 por Daniel Bryan e pelo co-autor Craig Tello, a contar o crescimento e peripécias do "Yes! Man" até à sua chegada à WWE e ao main event da Wrestlemania. Boa leitura!


Capítulo 17: Texas Throwback
Sábado, 5 de Abril, 2014 - 10:39

Enquanto a fila de fãs progride, o homem que em breve podia ser o novo WWE World Heavyweight Champion assina imagens 8x10 brilhantes, posters, pessoas (a sério), camisolas, réplicas de títulos, e até folhas de programações do seu passado.

Trey Gonzalez de Oklahoma City transporta um card de combates da Texas Wrestling Alliance, a completar dez anos no dia anterior, que inclui Bryan como o American Dragon a competir como um aluno da Academia de Shawn Michaels. A recordação surpreende Bryan enquanto ele assina o papel bastante amarrotado. Entretanto, simultânea a esta sessão, HBK participa num Q&A ao vivo com os fãs no Axxess. É-lhe perguntado sobre a trigésima edição da Wrestlemania e o combate que ele mais anseia ver, um "show stealer". Ele nomeia o encontro de Bryan com o The Game.

Pouco depois, o "Yes! Man" sai do evento e instala-se no seu veículo do Wrestlemania Axxess no exterior, logo na zona de descargas das traseiras. Bryan utiliza os poucos minutos no trânsito de volta ao seu hotel para examinar alguns presentes inesperados de fãs da WWE no evento, assim como desembrulhar outros presentes. Sorri quando segura um livrete de papel construído à mão com desenhos a marcador dele próprio com cabelo roxo. Fica surpreendido por um cartão de aniversário adiantado de outro membro do WWE Universe, várias semanas antes da data de 22 de Maio. Bryan também fica absolutamente comovido por uma caixa envolta em papel de embrulho que continha toalhas antibacterianas gémeas para futuras caminhadas com a sua noiva. É uma prenda de casamento baseada num comentário que Bryan recentemente fizera numa entrevista, e a atenciosidade deslumbra-o, particularmente ao ler a mensagem inscrita no cartão.

"O vosso amor é uma inspiração," escreve Bibo Reyes.
O gesto é uma inspiração para Bryan.



A minha primeira grande oportunidade de me lançar para o nível seguinte na WWE veio em Julho de 2011 no evento Money in the Bank em Chicago. Houve dois combates Money in the Bank, um para o Raw e um para o Smackdown, e o vencedor de cada conseguia um contrato para competir pelo título principal na sua "brand" quando quisesse, o que normalmente significava quando o campeão estava numa posição vulnerável. Nenhum vencedor do Money in the Bank tinha alguma vez falhado tornar-se campeão a este ponto, logo isto era grande.

Kane, Sheamus, Cody Rhodes, Wade Barrett, Sin Cara, Justin Gabriel, Heath Slater, e eu estávamos todos envolvidos no combate, que também incluía escadotes, mesas e uma mala. É uma das estipulações de combate mais perigosas no wrestling, logo tivemos um ensaio na noite anterior.

Quando chegámos aos ensaios, o elemento mais desafiador de montar o combate foi a WWE não saber quem queria que ganhasse. Sabiam que o Alberto Del Rio ia ganhar o Money in the Bank do Raw, e eles meio queriam que o Barrett ganhasse do nosso lado, mas estavam preocupados que a história do Wade a vencer seria demasiado semelhante à vitória do Alberto, logo também estavam ainda a considerar a mim e ao Cody, também. Jamie Noble foi um dos produtores do combate, e ele empurrou a toda a força a ideia de que eu ganhasse, só porque tornaria a história em cada "brand" tão diferente. Chegámos ao edifício no dia seguinte, e eles ainda não sabiam quem seria o vencedor, então planeámos um cenário onde se reduzia ao Wade, ao Cody e a mim, e assim que ficássemos a saber o final, ajustávamos a partir dali. Quando a reunião da produção finalmente acabou, recebi as boas notícias de que eu ia vencer, porém eles ainda não tinham 100% de certeza que era a mim que queriam. Fui informado que ainda podia mudar, então eu não estava com as minhas esperanças muito altas - especialmente desde a última vez que estive em Chicago, tivemos a reunião onde o Sheamus e eu descobrimos que estávamos no pré-show da Wrestlemania, e essa memória ainda estava forte na minha mente.

Havia oito homens num combate de escada Money in the Bank, e isso são muitos partidos em movimento no que toca a subir dez a quinze pés de altura num escadote para agarrar uma mala. Não só tens que te preocupar com a segurança, mas também há a preocupação de corresponder às expectativas dos anteriores combates Money in the Bank, que têm história de ser alguns dos combates mais selvagens, loucos e excitantes na história da WWE. E todos têm que fazer a sua parte, o que acrescenta outro nível de stress. Se alguém se magoa, não só te sentes mal por ele, mas destabiliza todo o resto; o combate pode simplesmente desmoronar-se. O mesmo é verdadeiro se alguém se esquece da sua parte, que é a razão para ter sido algo divertido quando o Heath Slater se estava a esforçar por lembrar de certos elementos do combate. Mesmo antes de saírmos para lá, ele disse, "Se eu me esquecer de alguma coisa, podemos simplesmente perguntá-lo lá, certo?" Imediatamente o Kane, que tinha estado em bastantes combates como este antes, exclamou "NÃÃOO!! Não podemos! Por isso é que tivemos ensaio, e é por isso que todos tivemos que memorizar os nossos spots. Se algo é estragado, então estraga tudo o resto!" O Heath resmungou algo em resposta, e eu pude notar que ele estava preocupado.

Eu tinha as minhas próprias preocupações ao partir para o combate, o primeiro e mais importante sendo que tenho pavor a alturas. Quando estou a fazer coisas normais de wrestling, como subir à corda superior, não é grande assunto porque já estou habituado. Assim que me têm a tentar manobrar a minha subida por um escadote acima, fico bastante nervoso. Além da cena da altura, também estava preocupado com realmente retirar a mala da mola que a segura por cima do ringue. Passámos por isso algumas vezes, e eu provavelmente estava apenas a 50/50 no que dizia respeito a soltar a mala. Em último lugar, eu estava preocupado com a reacção da plateia à minha vitória. Eu já tinha ganho algum "vapor" em relação à posição onde estava uns meses antes, mas de maneira nenhuma eu era uma locomotiva imparável. Eu via-me como alguém que a audiência gostava, mas não tinha a certeza se gostavam de mim o suficiente para estar pronto para este tipo de oportunidade.

Por sorte, tudo com que eu estava preocupado correu bem. Quando saí e enfrentei a plateia esgotada, o meu medo das alturas desapareceu. Também fui capaz de desprender a mala, mesmo que não o tenha feito devidamente. Ao início não estava a conseguir soltá-la, então eu também tirei o gancho que ficou agarrado quando celebrei com a mala. E finalmente, a plateia de Chicago reagiu muito bem. Estavam entusiasmados por ter sido um bom combate, e todos pareciam felizes por eu ter vencido. Correu tudo tão bem que a pior parte do combate fui eu a tentar descer da escada quando estava acabado.


Fiel a si mesmo, o Heath realmente esqueceu-se de uma coisa; ele tirou o escadote errado na altura errada, e acabou por ter que levar um bump da corda superior para o chão, a partir de uma escada bem mais alta que o antecipado. Mesmo assim, de alguma forma ninguém se magoou, os fãs gostaram do combate, e eu era agora o detentor do tão importante contrato Money in the Bank.

Em Agosto, a Bri e eu tivemos três dias de folga, então decidimos tirar umas férias juntos no Parque Nacional Yellowstone. Foram as primeiras férias da minha vida adulta, e por esta altura eu tinha trinta anos. Ficámos numa pequena cabana no exterior do parque, com apenas vinte pés entre o local onde estávamos e um lindo rio. Fomos andar de cavalo, de jangada, e numa lindíssima tour onde estávamos a uma curta distância de uma manada de bisontes. Na serenidade de toda esta beleza natural, apercebi-me que estava apaixonado.

Tudo com a Bri corria muito bem, mas no wrestling... Nem tanto. Após eu ter vencido o Money in the Bank, parecia que eu ia obter um pouco mais de tempo de antena, e ao início até tive. A minha subsequente aparição em pay-per-view foi um combate de singulares com o Wade Barrett no SummerSlam - o meu primeiro one-on-one desde o Survivor Series do ano anterior. Apesar de eu ter perdido, foi-nos dada uma quantidade decente de tempo, e eu pensava que já estava de volta ao bom caminho.

Pensava mal.

(...)

No próximo capítulo: Pensava mal e realmente a coisa não andava com muito boa cara. Na segunda e conclusiva parte do décimo-sétimo capítulo, Daniel Bryan recorda-nos o seu amargo percurso com a mala... E o seu repentino fruto! As coisas dão voltas muito rapidamente! Não percam!

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