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Literatura Wrestling | Yes! My Improbable Journey to the Main Event of Wrestlemania - Capítulo 4 - Parte 1


Está de volta a Literatura Wrestling, o espaço de traduções do blog que vos traz uma obra biográfica, na íntegra, reveladora das origens, vida e decorrer da carreira de alguns dos mais marcantes wrestlers que percorreram os ringues que acompanhámos com tanto gosto.

Todas as semanas vos traremos um excerto do livro "Yes!: My Improbable Journey to the Main Event of Wrestlemania", publicado em 2015 por Daniel Bryan e pelo co-autor Craig Tello, a contar o crescimento e peripécias do "Yes! Man" até à sua chegada à WWE e ao main event da Wrestlemania. Boa leitura!


Capítulo 4: Treinado para vencer
Quarta-Feira, 2 de Abril, 2014 - 11:32

Daniel Bryan emerge do seu quarto de hotel equipado com a sua garrafa de água e o clássico caderno de composição preta e branca - as únicas ferramentas que ele precisa para exercícios de final da manhã. A pé, Bryan dirige-se a alguns quarteirões de distância para o New Orleans Athletic Club, recebendo uma saudação de uma fã que passava a conduzir, que grita do seu carro, "Nós adoramos-te, Daniel!"

Sem ser a norma de um Planet Fitness, "N.O.A.C." (como estava gravado na porta da frente) tem raízes que já datam de 1872 e paredes interiores acentuadas por imagens de sépia de cavalheiros atléticos de outrora. É uma instalação de exercícios muito bem trabalhada, peculiar mas apropriada. Com telha a transitar num padrão único, o soalho de madeira range pesadamente assim que Bryan entra para algum condicionamento. A primeira fase de treino para o ex-WWE Champion? Há que registar. Daniel senta-se numa mesa de madeira numa sala de registo revestida com fotos desbotadas de homens fortes e atletas da velha-guarda. Para propósitos de inscrição, é-lhe pedido o nome completo, número de telefone, e outra informação básica, depois tem a sua fotografia tirada por um empregado com uma pequena webcam. Ele pega numa toalha e dirige-se para o massivo e multinível ginásio com escadarias em espiral, corrimãos ornamentais e uma piscina a parecer alguma encontrada num quintal das traseiras ao lado de um jardim... só que é interior.

Os seus movimentos são lentos durante alongamentos musculares, com o seu foco em fortalecer todos os músculos mais pequenos do ombro. Entre flexões Hindu, Bryan pausa para providenciar mais conhecimento no seu regime.

"Estou a focar-me maioritariamente em condicionamento e técnica," diz ele. "Estou com muita leveza e a ser ultra-conservador com o meu treino porque a última coisa que se precisa é de definir um recorde pessoal e estourar o ombro. Faço muitos movimentos de preparação antes de começar e muitos alongamentos quando acabo."

Na Wrestlemania, o "Yes!-Man" da WWE fica cara-a-vil-cara com o The Game - uma alcunha que Triple H ganhou com o tempo, tanto pelo domínio em ringue, como pela proeza física. Ele é um adversário diferente de qualquer outro que Daniel Bryan já tenha enfrentado, mas o mesmo pode ser dito a Triple H sobre Daniel Bryan.

O Assassino Cerebral (outro dos apelidos intimidadores de Triple H) é tão calculoso como é poderoso, e adaptou um novo regime de condicionamento ao estilo de combate em ringue do seu adversário. É uma verdade que Bryan acolhe e que, de facto, louva.

"A ideia do homem grande dominante já não resulta. Houve tempos, quando eu comecei a treinar para ser wrestler, em que eu pensava que tinha de ser maior porque é o que o wrestling exige, então eu estava a fazer exercícios baseados em força e tamanho," explica Bryan. "Mas mesmo que olhes para o [gigante da WWE de 400 libras] Big Show, ele está a perder peso e a acrescentar mobilidade porque é isso que é preciso para existir na era actual de wrestling."

Ele proclama, "Wrestling está a evoluir. O que resultava há dez anos atrás não resulta agora. Os fãs exigem mais porque já viram mais - não só de gajos como eu. Viram-no do Cesaro... Seth Rollins... Big E...

"Tudo isto está a mudar," diz Bryan, prometendo uma revolução na WWE.


Quando és miúdo, pessoas constantemente te perguntam o que queres ser quando cresceres. Não me recordo se foi imediatamente à primeira vista que eu soube que queria ser um wrestler profissional, mas olhando para trás, não me lembro de alguma vez ter querido ser outra coisa qualquer. Claro, quando és jovem, ninguém se ri quando dizes que queres ser um wrestler profissional, porque todos os miúdos querem ser algo relativamente implausível para os adultos. Mas, à medida que vais crescendo, espera-se que comeces a pensar de forma mais realista em relação a uma carreira - especialmente se, tal como eu, não tens qualquer meio ou forma de te destacares numa multidão. Não importava, quando qualquer um perguntava, eu dizia sempre que queria ser um wrestler profissional. Às vezes pessoas riam-se; outras vezes diriam que soava divertido mas que provavelmente eu devia ir para a faculdade primeiro. A resposta que me dava mais problemas era a seguinte: "Como é que te metes no wrestling?" Eu não fazia ideia.

Na Pro Wrestling Illustrated, tinham estes anúncios a dizer, "Aprende a ser um wrestler profissional!" Pagavas 20$ para obter o livro e tornares-te um wrestler profissional. Assim tão simples? Eu já estava convencido. Comprei múltiplos livros desses. Uso o termo "livro" de forma vaga porque eram mais como uma lista telefónica de recursos (apesar de reduzidos a cerca de vinte páginas) do que realmente guias.

Diziam-me que que eu tinha que arranjar equipamento de wrestling e sugeriram algumas lojas de boa reputação. Diziam que eu precisava de umas botas de wrestling e notavam locais onde podiam ser encomendadas. É essencialmente tudo o que faziam. A instrução mais importante era que eu precisava de ir para uma escola de wrestling e eu precisava de ir para uma boa. Um dos livros destacava a Malenko School of Wrestling, e eu sabia exactamente onde precisava de ir. Eu estava no meu segundo ano de liceu e o Dean Malenko era o meu wrestler favorito.

É interessante como gostos podem mudar em praticamente tudo. Quando eu fui inicialmente introduzido ao wrestling, eu adorava as personagens coloridas e adorava praticamente qualquer um que fosse para o ringue como um animal. Jake the Snake, Koko B. Ware e os British Bulldogs estiveram sempre no topo da minha lista, mas o meu favorito absoluto era o Ultimate Warrior. Apesar de não ser lá grande wrestler técnico (não é que eu soubesse melhor na altura), Warrior sprintava para o ringue e, com uma energia incrível, agitava a corda superior como um maníaco. Ele usava calções florescentes com fitas a condizer e tinha o físico de um super-herói. Ele era tudo o que eu adorava em relação ao wrestling quando eu tinha nove anos.

Assim que fiquei um pouco mais velho, comecei a gostar dos wrestlers não apenas pela sua persona, a sua aparência ou a entrada mas mais pela sua performance dentro do ringue. Eu era atraído para gajos como o Bret "Hit Man" Hart e o Arn Anderson - excelentes técnicos em ringue, mas ainda assim tipos grandes.

Apesar de eu sempre ter querido ser wrestler, eu tinha dúvidas porque os gajos que eu via na TV eram tão grandes. Até um tipo como o 1-2-3 Kid, que era um underdog devido ao seu tamanho, tinha mais de um 1,80m. Eu só tinha 1,73m. Depois, em 1995, a World Championship Wrestling criou o título Cruiserweight e trouxe alguns wrestlers que começaram a dar-me esperança que o meu tamanho não seria um problema. De repente, na minha TV, todas as semanas havia tipos como Eddie Guerrero, Chris Benoit e Dean Malenko, que eram da minha altura ou mais baixos e tinham lutado no México, na Europa e no Japão, aprendendo estilos diferentes em todo o lado por onde passavam. O Guerrero e o Benoit lutaram um com o outro num combate no WCW Saturday Night que foi tão bom que me fez começar a gravar wrestling para que eu pudesse assistir aos combates uma e outra vez.

Dean Malenko foi aquele que mais me apelou. Um wrestler sem disparates, que era introduzido como o "Homem das 1000 Holds," e quando ele começou na World Championship Wrestling (WCW), eles gravaram vinhetas com ele a esticar gajos com várias submissões. A minha favorita era o seu Texas Cloverleaf, em que ele fazia um "figure-four" às pernas do homem, com os braços, e em seguida voltava-o sobre o estômago, parecendo que estava a dobrar o adversário ao meio. Comecei a tentá-lo em todos os meus amigos, e verdadeiro à sua forma, doía.

Em 1996, no WCW Great American Bash (o primeiro pay-per-view que eu encomendei), Dean lutou com um estreante Rey Mysterio Jr. pelo Cruiserweight Championship no combate que me convenceu que não havia desculpa para não seguir o meu sonho. Ambos eram mais baixos que eu, mas entre o wrestling de tapete agressivo do Dean e o Rey a ser o high flyer mais espectacular que eu já tinha visto, nenhuma pessoa a assistir teria notado. Eles transcenderam o preconceito que muitas pessoas (eu incluído) tinham de que wrestlers tinham que ser grandes.

Pouco depois de eu ter feito dezasseis anos, eu liguei para perguntar sobre a Malenko School of Wrestling, usando o número que vi num dos meus livros. Uma senhora chamada Phyllis Lee atendeu e respondeu a todas as minhas questões, incluindo os custos. Eram 2,500$ para a inscrição, mas era preciso dar-lhes um depósito de 500$ para assegurar o lugar. Por qualquer razão, eu tinha presumido que havia pessoas em fila, por todo o mundo, para ir para a escola do Dean Malenko e que eu precisava de enviar o meu depósito o mais rápido possível para assegurar que havia um lugar para mim.

(...)

No próximo capítulo: Será que Bryan conseguiu integrar a escola de Dean Malenko? Para onde quer que tenha ido, não foi nada fácil e o rapaz bem se matou a trabalhar! Confiram tudo na próxima semana, quando chegar a vós a segunda parte do quarto capítulo!

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