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Análise e Pensamentos do WWE RAW: Crise de identidade


O Análise e Pensamentos do WWE RAW avalia o semanal mais famoso da WWE, classificando todos os combates e segmentos tendo em conta a sua qualidade. No programa desta semana, The Undertaker repetiu o repertório do Battleground e mostrou a Brock Lesnar o real perigo de estar no mesmo ringue que um homem morto.



Depois de tudo isso, o que sou de verdade?

Undertaker está sofrendo uma crise de identidade.

Depois de toda a sua carreira de muito sucesso, Undertaker começou a decair. Suas aparições começaram a ficar esporádicas até o ponto em que só se fazia presente nas Wrestlemanias, defendendo a sua streak. A streak era tudo que ele tinha, a este ponto.

E isso lhe foi retirado.

Brock Lesnar, essa besta que assombra o Deadman, venceu-o na Wrestlemania, deixou-o com graves problemas de concussão e, basicamente, terminou o que restava do fenômeno. Com o fim da invencibilidade, tudo o que definia a figura emblemática de Undertaker se acabou. 

Como responder a isso?

Relembre o modo como Undertaker saiu do ringue depois de ter sido derrotado naquela fatídica noite. Aparentemente, ele era apenas mais um homem; perdera toda a sua aura do sobrenatural que cobrira-o durante sua vida em ringue. Ele parecia um homem velho, vencido pelo tempo.

Agora imagine-se, então, no lugar daquele homem velho. Quando se enxergar no espelho, conseguirá aceitar a verdade? Ou rejeitará a mesma, tentando provar que tudo e todos estão errados?

Percebemos com clareza o caminho que Undertaker decidiu trilhar. Ele escolheu não aceitar a passagem do tempo. Retornou na Wrestlemania 31 para vencer um oponente fraco em Bray Wyatt. Isso serviu para lhe dar confiança. Restaurou parte do seu psicológico. Talvez, nessa altura, fosse exatamente isso o que ele tivesse planejado. Talvez ele não fosse, sequer, atrás de Lesnar, para vingar a derrota no ano de 2014.

Mas o maldito Paul Heyman não calou a boca. O quanto mais velho você fica, mais demora para o seu corpo se recuperar. Undertaker ainda tinha condições, mas estava exposto, debilitado. E Paul Heyman o expunha exatamente como tal: um homem acabado, esperando o seu final de carreira melódico e triste. Sua streak está morta. Você é a vadia que perdeu para a besta Brock Lesnar.

Novamente, o homem velho torna-se ao espelho.

Aceitar?

Não.

Então, o Deadman perdeu sua calma. Se tornou desesperado. Queria acabar de uma vez por todas com aquilo que o consume. Queria pôr um fim em Brock Lesnar. Então, ele esperou. No Battleground, executou seu plano, custando a Lesnar a chance de se tornar WWE World Heavyweight Champion, garantindo que a besta aceitasse, assim, uma revanche no Summerslam.

A garantia? Um golpe baixo: um chute abaixo da cintura.

Isso levou a briga que todos assistimos no RAW; ninguém saiu por cima.

Então, na última segunda-feira, Undertaker aplicou outro chute baixo.

O motivo está claro: o homem-morto tem de conseguir a vingança contra quem acabou com a sua identidade, com tudo o que lhe restava (a streak), e, para tal, está disposto a tudo. Usar de golpes baixos duas vezes nos mostra que o Deadman sabe o que deve fazer para parar uma besta imbatível como Lesnar. No seu estado de vulnerabilidade atual, Undertaker enfrenta a realidade de estar a caminho do seu fim, posta aquela noite em Nova Orleans. Os fins justificam os meios.

Até onde ele irá para tal? O que vai acontecer quando soar o gongo e o combate iniciar? Como Undertaker manterá seu balanço temperamental para competir, minimamente, contra a besta? Será Brock Lesnar o homem a fazer Undertaker encarar a verdade, finalmente?

Estou explodindo de ansiedade para o Summerslam.


O melhor do resto do show

Assinatura de contrato: Inicialmente, planejei destacar este segmento também, mas preferi me dedicar integralmente ao historial da feud Undertaker-Lesnar. Mas o quão excelente foi aquela promo de John Cena? Cena criou a história perfeita para o combate, adicionando a intriga com Triple H: ele está perto de quebrar o recorde de Ric Flair, um problema que a Autoridade não quer enfrentar. Não se surpreenda se essa luta terminar com interferências, no Summerslam. Digo isso, posso dizer que, com esse segmento, conseguiram fazer-me torcer que o Cena quebre o queixo de Rollins e finalmente nos livre das suas promos idiotas.

Randy Orton & Cesaro vs. Sheamus & Kevin Owens: É um mantra da WWE apresentar, nos RAWs antes de PPVs, um combate de tag team que engloba duas single matches que ocorrerão no domingo. Isso funcionou neste caso, sobretudo pelo fato do público estar completamente a favor de Cesaro, que presenteia seus fãs, em agradecimento, com combates magistrais como este.

Roman Reigns vs. Luke Harper: Dean Ambrose a comentar foi o que o booker ordenou para este combate que não tinha atrativo nenhum. Estou começando a pensar que a WWE está levando o angle entre Reigns e Ambrose de uma maneira tão exagerada para criar a ideia de que um deles vai fazer um heel turn no domingo, mas o real swerve será quando ambos continuarem como faces. Ao menos teremos uma intriga até lá. Esse combate foi aborrecedor e a prova disso foi Bray Wyatt a ficar sentado num cadeira o tempo todo, sem saber o que veio fazer aqui. Então, um promo após o combate, porque essa é a fórmula do seu personagem.

Dolph Ziggler retorna: Que grande pop do público! Ziggler sempre terá um apoio do público que será desproporcional ao seu push do momento. Ele tem sido a pior parte de todo este angle com Lana, Rusev e Summer Rae e, mesmo assim, teve a melhor reação. Uma volta após várias semanas garante boa ovação, é claro, mas para que isso se torne exitoso, o público precisa comprar a ideia.

MEU DEUS DO CÉU: King Barrett reinventou a sua carreira. Isso não poderia ter sido melhor. ALL HAIL COSMIC KING BARRETT.

Nikki Bella vs. Sasha Banks: Esse é o meu problema com o fato de estarem chamando a isso de Revolução das Divas. O combate no RAW foi uma Champion vs. Champion match, teoricamente o combate mais importante de todo este angle e, mesmo assim, foi colocado na pior posição possível no alinhamento do RAW. Mas foi ainda mais desagradável: Sasha Banks teve uma entrada de jobber e, mesmo defendendo o cinturão do NXT no sábado, não se apresentou com o título no show de segunda. Então, aparecem esses defensores idiotas da WWE dizendo: "bem, tecnicamente elas foram o main event, por terem sido o último combate do show." Não. O main event é o que ocorre por último. Não inventem. Colocar um segmento/combate antes do main event é a pior decisão possível porque se trata de um momento que serve, na realidade, para fazer os fãs descansarem. Esta contenda simbolizou, pessoalmente, um grande passo atrás nessa storyline.

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Classificação: Houve excelentes momentos e outros que foram total perda de tempo. C+


Original de Geno Mrosko, com tradução de Johnmds

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